Doenças ocupacionais
mais comuns:
Asma Ocupacional
Enquanto a asma convencional é causada por ácaros
comumente presentes no ambiente, a asma ocupacional acontece
com trabalhadores que, durante suas atividades profissionais,
entram em contato com produtos químicos ou agentes
biológicos que causam alergia ou irritação
no aparelho respiratório.
Os primeiros sintomas são a tosse seca, falta de
ar e o chiado no peito; o efeito é o mesmo da asma
convencional: contração dos brônquios
(canais por onde passa o ar) que fecha as vias aéreas,
causando a dificuldade de respirar. Embora as crises possam
aparecer casa, depois do trabalho, é mais comum que
elas aconteçam durante o horário de trabalho
e que diminuam nos períodos em que o trabalhador se
afasta, como nos finais de semana e períodos de férias.
A melhor forma de prevenir a asma ocupacional é por
meio da utilização de equipamentos de proteção
que impeçam o contato do trabalhador com o agente causador
da alergia. Quando o paciente já esta adoecido, o tratamento
clínico é o mesmo realizado para a asma convencional,
portanto é necessário que o paciente seja afastado
do agente causador, isto é, o mais indicado é
que o trabalhador mude seu local de trabalho, ou seja realocado
na empresa, o que nem sempre é possível.
Dermatoses Ocupacionais
As dermatoses ocupacionais são lesões que
afligem a pele dos trabalhadores que durante suas atividades
precisam entrar em contato com produtos e agentes que causam
irritação e alergia, mas não têm
acesso à proteção adequada. Na maior
parte dos casos tais dermatoses são causadas pelo contato
freqüente com agentes químicos, muito comuns em
indústrias e também no trabalho doméstico
(por meio dos produtos de limpeza).
Os sintomas são: ressecamento, vermelhidão,
descamação, fissuras, crostas, inchaço,
inflamação, unhas quebradiças, verrugas,
erupções, queimaduras, etc.
A melhor forma de prevenir este tipo de dermatose é
proteger a pele por meio de luvas e roupas impermeáveis
ou que impeçam o contato com o agente causador.
LER / DORT
Lesão por Esforços Repetidos / Doenças
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho
As lesões por esforços repetitivos (LER), são
movimentos repetidos de qualquer parte do corpo que podem
provocar lesões em tendões, músculos
e articulações, principalmente dos membros superiores,
ombros e pescoço, devido ao uso repetitivo ou a manutenção
de posturas inadequadas resultando no declínio do desempenho
profissional. As vítimas mais comuns são os
digitadores, datilógrafos, bancários, telefonistas,
secretárias e trabalhadores de linhas de montagem.
As principais causas de LER são: posto de trabalho
inadequado, mas projetado ou ergonomicamente errado; atividades
no trabalho que exijam força excessiva com as mãos;
posturas inadequadas e desfavoráveis às articulações;
repetição sistemática de um mesmo padrão
de movimento; ritmo intenso de trabalho; jornada de trabalho
prolongada; falta de possibilidade de realizar tarefas diferentes;
falta de orientação e desconhecimento sobre
os riscos do LER.
Os sintomas principais sintomas são: formigamentos,
dores, fadiga, perda da força muscular e inchaço
nas partes afetadas. Geralmente os diagnósticos médicos
são de tenossinovites, tendinites, epicondilite, bursites,
etc.
A melhor forma de combater a LER é através
da prevenção, isto é, evitar que o trabalhador
se torne um lesionado, oferecendo condições
de trabalho adequadas e que não o deixe exposto às
causas do LER. O trabalhador portador de LER deve ser reaproveitado
em outra função em que não sua lesão
não seja agravada.
Intoxicação por metais pesados
Os metais pesados, quando absorvidos pelo corpo humano,
se depositam no tecido ósseo e gorduroso, ocupando
o lugar de minerais nobres. Lentamente liberados no organismo,
eles podem provocar uma série de doenças.
Saiba mais sobre estes metais,
onde estão presentes e que doenças podem provocar:
Alumínio
Onde é encontrado: Produção de artefatos
de alumínio; serralheria; soldagem de medicamentos
(antiácidos) e tratamento convencional de água.
Efeitos:Anemia por deficiência de ferro; intoxicação
crônica.
Arsênio
Onde é encontrado: Metalurgia; manufatura de vidros
e fundição.
Efeitos: Câncer (seios paranasais).
Cádmio
Onde é encontrado: Soldas; tabaco; baterias e pilhas.
Efeitos: Câncer de pulmões e próstata;
lesão nos rins.
Chumbo
Onde é encontrado: Fabricação e reciclagem
de baterias de autos; indústria de tintas; pintura
em cerâmica; soldagem.
Efeitos: Saturnismo (cólicas abdominais, tremores,
fraqueza muscular, lesão renal e cerebral).
Cobalto
Onde é encontrado: Preparo de ferramentas de corte
e furadoras.
Efeitos: Fibrose pulmonar (endurecimento do pulmão)
que pode levar à morte.
Cromo
Onde é encontrado: Indústrias de corantes, esmaltes,
tintas, ligas com aço e níquel; cromagem de
metais.
Efeitos: Asma (bronquite); câncer.
Fósforo amarelo
Onde é encontrado: Veneno para baratas; rodenticidas
(tipo de inseticida usado na lavoura) e fogos de artifício.
Efeitos: Náuseas; gastrite; odor de alho; fezes e vômitos
fosforescentes; dor muscular; torpor; choque; coma e até
morte.
Mercúrio
Onde é encontrado: Moldes industriais; certas indústrias
de cloro-soda; garimpo de ouro; lâmpadas fluorescentes.
Efeitos: Intoxicação do sistema nervoso central.
Níquel
Onde é encontrado: Baterias; aramados; fundição
e niquelagem de metais; refinarias.
Efeitos: Câncer de pulmão e seios paranasais.
Fumos metálicos
Onde é encontrado: Vapores (de cobre, cádmio,
ferro, manganês, níquel e zinco) da soldagem
industrial ou da galvanização de metais.
Efeitos: Febre dos fumos metálicos (febre, tosse, cansaço
e dores musculares) - parecido com pneumonia.
A melhor forma de combater a intoxicação
por metais pesados é impedir que eles sejam absorvidos
pelo corpo.
Perda Auditiva
Perda Auditiva Induzida pelo Ruído (PAIR)
A perda auditiva induzida pelo ruído (PAIR) é
a diminuição gradual da capacidade de ouvir
em razão de uma longa exposição à
ruídos sem a devida proteção. A exposição
repetida ao ruído excessivo pode levar, ao cabo de
alguns anos, à perda irreversível e permanente
da audição. Como sua instalação
é lenta e progressiva, a pessoa só se dá
conta da deficiência quando as lesões já
estão avançadas.
Os trabalhadores que sofrem com a PAIR começam a
ter dificuldades para perceber os sons agudos (como os de
telefones, apitos, tiquetaque do relógio, campainhas,
etc), e caso continuem se expondo à altos ruídos,
poderão comprometer ainda as freqüências
que afetam o reconhecimento da fala. Além da diminuição
da audição, também são identificados
como sintomas PAIR a presença de zumbidos e de tonturas.
A perda da audição, ainda que parcial, tem
uma influencia negativa muito grande na qualidade de vida
do ser humano, causando danos ao seu comportamento individual,
social e psíquico, como: perda da auto-estima, insegurança,
ansiedade, inquietude, estresse, depressão, alterações
do sono, maior irritabilidade, isolamento, etc.
Qualquer redução na sensibilidade auditiva
é considerada perda auditiva, no esquema abaixo é
possível visualizar quais as possíveis conseqüências
para a audição, de acordo com o volume do ruído
a que o trabalho é exposto sem a devida proteção:
0 - 25 dB audição normal
26 - 40 dB perda auditiva leve
41 - 70 dB perda auditiva moderada
71 - 90 dB perda auditiva severa
mais de 90 dB perda auditiva profunda
A perda de audição também esta relacionada
ao tempo de exposição ao ruído e à
outros fatores como pré-disposição e
idade.
A perda auditiva induzida pelo ruído relacionada
ao trabalho pode ser prevenida com o uso constante de protetores
auditivos individuais, que devem ser fornecidos pela própria
empresa (de acordo com a portaria 3.214 do Ministério
do Trabalho, que trata de Equipamentos de Proteção
Individual).
Pneumoconioses
As pneumoconioses dão doenças que provocam
uma fibrose ou endurecimento do tecido pulmonar em razão
do acúmulo de poeira tóxica nos pulmões.
Silicose
A silicose, causada pela inalação de poeira
de quartzo (poeira de silica), é caracterizada pela
formação de nódulos no pulmão
que podem levar à graves problemas respiratórios.
A doença é progressiva e irreversível
(piora ao longo dos anos), e seus sintomas aparecem após
muitos anos de exposição: começam com
tosses e escarros, passando por dificuldade para respirar
e fraqueza no organismo, chegando, nos casos mais graves,
a insuficiência respiratória.
Os trabalhadores mais atingidos pela silicose estão
na indústria extrativa (mineração subterrânea
e de superfície); no beneficiamento de minerais (corte
de pedras, britagem, moagem, lapidação); em
fundições; em cerâmicas, em olarias; no
jateamento de areia; cavadores de poços; polimentos
e limpezas de pedras, etc.
Asbestose
O amianto - ou asbesto - é uma fibra mineral bastante
usada na fabricação de caixas-d’água,
lonas e pastilhas de freio dos carros, telhas e pisos, tintas
e tecidos antichamas. Altamente tóxica e cancerígena,
a fibra é proibida em vários países do
mundo.
A asbestose é uma doença respiratória
causada pela inalação do pó amianto,
que se aloja nos pulmões e, em longo prazo, compromete
a capacidade respiratória e pode levar à morte,
além de estar associada ao câncer de pulmão.
Os doentes são geralmente trabalhares de indústrias
que usam o amianto como matéria prima, além
daqueles que trabalham na construção civil.
Os principais sintomas são falta de ar e cansaço
excessivo.
Não existe tratamento para a asbestose, ela é
uma doença crônica e progressiva, razão
pela qual, se discute a proibição do uso do
amianto e sua substituição por outras fibras
no Brasil.
Distúrbios Psiquicos
A forma como o trabalho está organizado, a duração
das jornadas, a intensidade, monotonia, repetitividade, alta
responsabilidade e principalmente a forte pressão por
produtividade que levam as pessoas para muito além
dos limites saudáveis são fatores que podem
provocar distúrbios psiquicos nos trabalhadores.
Podem ser sinais de disturbios psiquicos relacionados ao
trabalho: modificação do humor, fadiga, irritabilidade,
cansaço por esgotamento, isolamento, distúrbio
do sons (falta ou excesso), ansiedade, pesadelos com o trabalho,
intolerância, descontrole emocional, agressividade,
tristeza, alcoolismo e falta ao trabalho. Estes sinais podem
vir acompanhados de sintomas físicos como: dores (de
cabeça ou no corpo todo), perda do apetite, mal estar
geral, tonturas, náuseas, sudorese, taquicardia, etc.
As tensões, angústias e conflitos presentes
no ambiente de trabalho sobrecarregam o corpo e podem levar
também a acidentes e contribuir para agravar outras
doenças profissionais.
É sempre importante ressaltar que o trabalhador tem
direito à um tratamento digno, de ser reconhecido como
ser humano com qualidades e limites, e o empregador precisa
entender que, embora pague pela força de trabalho durante
o período da jornada (de até 44 horas semanais),
não comprou o corpo ou à saúde do trabalhador,
que devem ser sempre preservados.
Os distúrbios psiquicos relacionados ao trabalho,
em muito casos, também estão ligados ao assédio
moral, humilhações e degradações
constantes que criam um ambiente hostil, afetando a saúde
do trabalhador.
Assédio Moral
O assédio moral está ligado à idéia
de humilhação, isto é, com o sentimento
de ser ofendido, menosprezado, rebaixado, constrangido, etc.
A pessoa que é vítima de assédio moral
se sente desvalorizada e envergonhada.
No ambiente de trabalho o assédio moral pode ser identificado
por humilhações constantes, geralmente provocados
por um chefe ou superior na escala hierarquica, que levam
à uma degradação das condições
de trabalho. A vítima, com medo de perder o emprego,
se sente de mãos atadas diante das hostilidades acaba
se submetendo ao rebaixamento. Os colegas de trabalho também
amedrontados, aderem à um pacto de tolerância
e silêncio deixando a vítima cada vez mais isolada
e sem ter a quem recorrer.
Em grande parte dos casos o assédio moral tem como
objetivo criar uma situação insustentável,
pressionando o empregado para que ele peça demissão.
Segundo a advogada trabalhista Sílvia Helena Soares
“para não arcar com as despesas trabalhistas,
o empregador cria um ambiente insuportável e assim
o funcionário acaba pedindo demissão.
Como identificar
O trabalhador:
- é isolado dos demais colegas;
- é
impedido de se expressar sem justificativa;
- é
fragilizado, ridicularizado e menosprezado na frente dos colegas;
- é
chamado de incapaz;
- se torna
emocional e profissionalmente abalado, o que leva à
perder a auto-confiança e o interesse pelo trabalho;
- se torna
mais propenso à doenças;
- é
forçado à pedir demissão.
O agressor:
- age
através de gestos e condutas abusivas e constrangedoras;
- busca
inferiorizar, amedrontar, menosprezar, difamar, ironizar,
dá risinhos, suspiros, e faz brincadeiras de mau gosto;
- ignora,
não comprimenta e é indiferente à presença
do outro;
- dá
tarefas sem sentido e que jamais serão utilizadas;
- controla
o tempo de idas ao banheiro, impõe horários
absurdos de almoço, etc.
Como consequência o trabalhador humilhado pode sofrer
de angustia, entrar em depressão e até mesmo
pensar em suicídio. São muito comuns distúrnio
do sono (falta ou excesso), descontrole emocional, crises
de choro, irritabilidade, aparecimento de dores (de cabeça
e por todo o corpo), perda de apetite, tonturas, taquicardia,
aumento da pressão arterial, problemas digestivos e,
em alguns casos, fuga por meio de álcool e drogas.
Isto significa que o assédio moral produz reflexos
muito sérios na vida daqueles que passam por isso.
Como lutar contra o assédio moral
Tomar nota das humilhações sofridas com data,
hora, local, quem foi o agressor, quem testemunhou, o que
aconteceu, o que foi falado, etc.
Procurar ajuda de colegas, em especial daqueles que testemunharam
e os que também já sofreram humilhações.
Evitar conversar com o agressor sem testemunhas.
Caso seja uma empresa grande, onde o chefe direto não
é o dono da empresa, relate o que vem acontecendo ao
RH (Recursos Humanos) ou DP (Departamento Pessoal).
Procurar ajuda de diretores, médicos ou advogados do
sindicato ao qual é filiado;
Relatar o que vem ocorrendo ao Ministério Público;
Buscar auxílio da Justiça do Trabalho;
Buscar apoio em Comissões de Direitos Humanos;
Caso o assédio moral esteja gerando danos à
sua saúde, procure um centro de referência e
saúde do trabalhador;
Não se cale e comente o que ocorre com familiares e
amigos. Nestas situações a solidariedade é
fundamental.
O Brasil ainda não tem uma lei específica que
trata desta matéria (tanto no âmbito federal,
quanto em várias cidades e estados existem projetos
de lei em elaboração para coibir o assédio
moral). Ainda assim, o trabalhador vítima de assédio
moral pode processar seus chefes e empregadores por danos
morais em virtude de humilhações sofridas. Para
isso é muito importante reunir o maior número
de provas que caracterizam o assédio, como troca de
e-mails, testemunhas dispostas a falar, etc. e procurar a
justiça comum.