Doença causada por amianto
é subnotificada
Com a autoridade de quem analisou, nos últimos anos,
mais de seis mil radiografias, o médico pneumologista
Mário Terra Filho, professor da Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo, afirmou, durante o 8º
Encontro Nacional dos Trabalhadores do Amianto, realizado em
novembro, em Goiânia, que a "péssima qualidade"
dos raios X de tórax feitos no país e o despreparo
dos médicos das empresas, que não sabem ler adequadamente
as radiografias, são responsáveis por impedir
que sejam detectadas doenças graves entre os trabalhadores
com amianto.
De acordo com o especialista, "existe uma população
enorme de pacientes doentes que estão circulando por
aí e que não estão sendo diagnosticados".
Em São Paulo, disse ele, há registro mensal de
duas a três ocorrências de doenças denominadas
asbesto-relacionadas, como o derrame pleural (acúmulo
de líquido na cavidade da pleura, um tecido fino que
recobre a superfície dos pulmões) ou o mesotelioma
(tumor na pleura ou na membrana que reveste o abdome) que demoram
de 20 a 30 anos para aparecer.
Entre os casos, há o de operários que inalaram,
nos anos 50 e 60, fibras de amianto azul nas unidades da Eternit
em São Caetano do Sul e Osasco. Para a clareza dos diagnósticos,
segundo Terra Filho, é preciso investir na atualização
permanente dos médicos das empresas. (Fonte: O Estado
de S. Paulo, de 25.11.2006)
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