Torcicolo espasmódico
O torcicolo espasmódico é um espasmo doloroso
contínuo ou intermitente dos músculos do pescoço,
que força a cabeça a rodar e a inclinar-se para
a frente, para trás ou para os lados.
O torcicolo afecta uma em cada 10 000 pessoas e é,
aproximadamente, 10 vezes mais frequente nas mulheres do que
nos homens. A perturbação pode apresentar-se
em qualquer idade, mas a sua incidência é maior
entre os 30 e os 60 anos. Em geral, desconhece-se a sua causa,
mas por vezes o torcicolo deve-se a doenças como o
hipertiroidismo, as infecções do sistema nervoso,
as disquinésias tardias (movimentos faciais anormais
produzidos pela ingestão de medicamentos antipsicóticos)
e os tumores do pescoço.
Raramente os recém-nascidos sofrem de torcicolo (torcicolo
congénito) como consequência de lesões
nos músculos do pescoço durante um parto difícil.
(Ver secção 23, capítulo 254) O desequilíbrio
dos músculos oculares e as deformidades musculares
ou ósseas da parte superior da coluna vertebral podem
causar torcicolos nas crianças.
Sintomas
Podem aparecer espasmos dolorosos e agudos dos músculos
do pescoço, que começam de repente e se apresentam
de modo intermitente ou contínuo. Em geral, só
é afectado um lado do pescoço. A direcção
em que a cabeça se inclina e roda depende de qual é
o músculo do pescoço afectado. Um terço
das pessoas que apresentam esta perturbação
também tem espasmos noutras zonas, habitualmente nas
pálpebras, na cara, na mandíbula ou nas mãos.
Os espasmos aparecem sem aviso prévio e, muito raramente,
durante o sono.
O torcicolo varia de ligeiro a grave e permanente. Cerca
de 10 % a 20 % das pessoas que dele sofrem (habitualmente
jovens com casos menores) recuperam sem tratamento num prazo
de cinco anos. Na maioria, contudo, a perturbação
piora gradualmente num período de um a cinco anos,
estabilizando-se depois. O torcicolo pode persistir toda a
vida, provocando dores contínuas, mobilidade restringida
do pescoço e deformidades posturais.
Torcicolo
Diagnóstico e tratamento
Durante o exame físico de uma criança, o médico
pode detectar lesões dos músculos do pescoço
que podem causar o torcicolo. Para diagnosticar a perturbação
em crianças e em adultos, o médico faz perguntas
pormenorizadas sobre lesões anteriores e outros problemas
do pescoço. Por vezes fazem-se vários exames
como radiografias, tomografia axial computadorizada (TAC)
e ressonância magnética (RM), para procurar as
causas específicas dos espasmos musculares do pescoço,
embora com pouca frequência revelem essas causas.
Quando se identifica uma causa (como o crescimento anormal
de um osso), o torcicolo pode ser tratado de maneira eficaz.
Contudo, é menos provável que o tratamento controle
o espasmo quando a causa é uma perturbação
do sistema nervoso ou se ela for desconhecida.
Por vezes, o espasmo é aliviado temporariamente por
meio de fisioterapia e massagens. Existe um tipo de massagens
por meio do qual se aplica uma leve pressão sobre a
mandíbula no mesmo lado da rotação da
cabeça.
Os medicamentos ajudam a reduzir os espasmos musculares e
os movimentos involuntários em cerca de um terço
dos casos e, habitualmente, ajudam a controlar a dor causada
pelos espasmos. Os medicamentos anticolinérgicos, que
impedem os impulsos específicos do nervo, e as benzodiazepinas
(sedativos suaves) administram-se muitas vezes. Com menor
frequência prescrevem-se relaxantes musculares e antidepressivos.
Várias injecções de uma dose baixa da
substância que causa o botulismo reduzem a dor e os
espasmos, permitindo que a cabeça se sustente numa
posição mais natural (menos inclinada); esta
melhoria pode durar alguns meses. A extirpação
cirúrgica dos nervos que causam a disfunção
dos músculos do pescoço é, por vezes,
um procedimento eficaz a ter em contra se os outros tratamentos
não forem eficazes. Se houver problemas emocionais
que contribuam para os espasmos, o tratamento psiquiátrico
pode ser útil.
Em caso de torcicolo congénito a fisioterapia intensiva
para esticar o músculo lesado inicia-se nos primeiros
meses de vida. Se não for eficaz, ou se for iniciada
demasiado tarde, pode ser necessário reparar o músculo
cirurgicamente.