Para a relatora, ministra Eliana Calmon, a justificativa
do Ministério da Justiça de resguardar o direito
constitucional à intimidade, pois muitos processos administrativos
de concessão de anistia são instruídos
com dados íntimos de pessoas que detêm certa notoriedade,
não pode prevalecer, diante de um direito concreto.
“A medida adotada pela autoridade coatora
(MJ) contraria a prerrogativa do direito de vista dos advogados.
A administração pública, no desenvolvimento
das suas atividades, deve obediência ao princípio
da legalidade e da publicidade dos seus atos”, afirmou
a ministra.
A relatora destacou que não se pode perder
de vista que o advogado é responsável pela manutenção
do sigilo profissional, podendo até mesmo ser punido
se não observar essa regra.
Os advogados foram contratados por ex-membros
da Marinha do Brasil para acompanharem o trâmite dos processos
administrativos de anistia em curso. Assim, dirigiram-se à
capital federal, no dia 8 de dezembro de 2009, mas foram impedidos
de ter acesso aos autos em razão de não terem
procuração outorgada pelos clientes.
O acesso foi negado pelo Ministério da
Justiça através da Portaria 2.523/2008. Para os
advogados, a decisão contraria a Lei 8.906/94 (Estatuto
da Advocacia) e a prerrogativa do advogado de ter acesso a autos
que não tramitam em segredo de Justiça, independentemente
da apresentação da procuração. Por
isso, entraram com pedido de Mandado de Segurança no
STJ para ter acesso aos processos.
Desaparecidos da Ditadura
Será assinado, nesta terça-feira (13/7), um acordo
de cooperação entre o Ministério da Justiça,
a Secretaria de Direitos Humanos e a Comissão Especial
sobre Mortes e Desaparecidos Políticos para fomentar
trabalhos de localização e identificação
dos desaparecidos durante a Ditadura Militar no país.
O acordo permitirá a cooperação
mútua e o intercâmbio de ações para
localizar e identificar os restos mortais de pessoas desaparecidas
por motivos políticos no período entre 1961 e
1988, conforme definido pela Lei 9.140/1995.
Com o acordo, os trabalhos deverão ser
iniciados neste semestre. Estão previstas investigações
em cemitérios de São Paulo, bem como a análise
de restos mortais já encontrados, como os do cemitério
de Perus, entre outros. Esse esforço faz parte do projeto
Direito à Memória e à Verdade, no qual
a Secretaria de Direitos Humanos busca contribuir para o resgate
da história recente do país e assegurar o direito
das famílias em enterrar seus mortos. Com informações
das assessorias de imprensa do Superior Tribunal de Justiça
e do Ministério da Justiça.