Doença celíaca é pouco conhecida

Nájia Furlan
Jornal O Estado do Paraná - 20/05/2007

Faz pelo menos quatro anos que a legislação determina que “todos os alimentos industrializados deverão conter em seu rótulo e bula, obrigatoriamente, as inscrições ‘contém glúten’ ou ‘não contém glúten’. No entanto, o risco de contaminação ainda existe e não é pequeno. Não bastasse esse problema que sofrem os celíacos, a falta de consciência e informação também continua sendo obstáculo a ser ultrapassado.

Na última terça-feira (15) foi comemorado o Dia Internacional do Celíaco. Para lembrar a data e a seriedade da doença, a Associação dos Celíacos do Paraná (Acelpar) esteve ontem na Rua da Cidadania da Praça Rui Barbosa e hoje estará na feira do Largo da Ordem, a partir das 9h. Segundo o presidente da entidade, Francisco Schiocchet Júnior, o objetivo da ação é divulgar a doença.

A doença celíaca é caracterizada pela intolerância ao glúten - proteína presente no trigo, centeio, cevada e aveia. Segundo ele, a substância, quando ingerida, entra na corrente sangüínea ativando o sistema imunológico, que reage atacando o glúten, mas também o organismo, provocando reações diversas. “Qualquer quantidade ingerida vai provocar alguma reação. O perigo da contaminação existe e o celíaco pode ter desde afta, diarréia, vômito, até problema de infertilidade e câncer de intestino”, cita.

O presidente da Acelpar comenta que padarias, restaurantes e outros estabelecimentos que produzem alimentos não podem manusear produtos sem glúten para celíacos no mesmo ambiente que os demais produtos. “A contaminação se dá pelo ar, ao se utilizar o mesmo forno, a mesma forma.”

A alternativa, segundo ele, seria cozinhas separadas e específicas. “Há um desconhecimento geral da população que produz alimentos (bares, lanchonetes, restaurantes, padarias). É importante que saibam que a dieta do celíaco deve ser rigorosamente seguida. A contaminação não pode acontecer, pois a doença é séria, apesar de pouco conhecida e divulgada”, diz Francisco.

Outra luta recente da associação é para que o protocolo de diagnóstico da doença celíaca seja implantado no Sistema Único de Saúde (Sus). “Isso poderia ajudar no diagnóstico precoce, evitando problemas mais sérios.”

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