DESPEDIDA
ARBITRÁRIA: Centrais querem regras contra demissão
Documento
a ser entregue a pré-candidatos sugere criação
de lei com normas para dispensa sem justa causa
Centrais
sindicais querem legislação para conter rotatividade
nas empresas e redução da jornada para 40 horas
CLAUDIA
ROLLI
DE SÃO PAULO
A criação
de uma lei para restringir as demissões sem justa causa
e, dessa forma, coibir a rotatividade é um dos pontos
mais polêmicos a serem discutidos na conferência
nacional dos trabalhadores, que ocorre depois de amanhã,
em São Paulo.
No encontro, que será no estádio do Pacaembu,
representantes de 4.500 sindicatos e de cinco centrais (CUT,
Força Sindical, CTB, CGTB e Nova Central) vão
aprovar documento com 270 pontos que será entregue aos
pré-candidatos à Presidência.
"Como houve dificuldades para o Brasil ratificar a Convenção
158 da OIT, que acaba com a demissão sem justa causa
e impede as empresas de demitir sem justificativa, a ideia é
discutir uma lei para coibir a rotatividade no país",
diz Paulo Pereira da Silva, presidente da Força.
Para as centrais, a rotatividade é um mecanismo para
achatar salários e tem impacto negativo no pagamento
do seguro-desemprego.
Em 2009, foram admitidos 16,2 milhões de trabalhadores
e demitidos 15,2 milhões no Brasil, de acordo com o Ministério
do Trabalho.
"Com o dinheiro que se gasta para pagar seguro-desemprego
a milhões de demitidos todos os anos, poderiam ser criados
programas para qualificar os trabalhadores e gerar renda",
afirma Artur Henrique da Silva Santos, presidente da CUT.
"Ninguém quer criar estabilidade no emprego e transformar
o funcionário do setor privado em servidor público.
Mas não dá para uma empresa demitir indiscriminadamente
sem explicar as razões dessa dispensa", diz, ao
se referir à rotatividade no país.
No documento que será entregue aos candidatos, os trabalhadores
querem discutir temas como informalidade, educação
profissional e direito irrestrito de greve (inclusive dos servidores),
além de jornada de 40 horas.
"A redução da jornada é um mecanismo
para dividir os ganhos de produtividade e a criação
de vagas", diz Cássio Calvete, economista do Dieese.
Para empresários, a redução da jornada
irá prejudicar a competitividade.