LER
custará R$ 2,1 bi à Previdência este ano
RESSONÂNCIA
Márcio Miranda, 50, diz que sofreu assédio moral
após ter sido diagnosticado com LER; atualmente, ele
processa o INSS, que não lhe concede benefício
Identificação
das lesões por esforço repetitivo cresce 586%
em três anos
ANDRÉ
LOBATO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Os movimentos
repetitivos que desgastam ossos e músculos dos trabalhadores
brasileiros vão custar cerca de R$ 2,1 bilhões
à Previdência Social neste ano. O valor equivale,
por exemplo, a um quinto do investido no Bolsa Família
em 2008.
A LER (lesão
por esforço repetitivo) teve sua identificação
por peritos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) aumentada
em 586% entre 2006 e 2008. Os casos passaram de 20 mil em 2006
para 117,5 mil em 2008. A pressão por metas e as condições
inadequadas, ressaltam especialistas ouvidos pela Folha, são
os principais motivadores da doença.
O salto
no reconhecimento da LER pode ser explicado pela implementação,
em 2007, do NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico
Previdenciário).
Em linhas
gerais, o NTEP é uma relação entre atividades
profissionais e suas doenças mais comuns. Antes de ele
ser estabelecido, cabia ao profissional provar que a doença
estava ligada ao trabalho.
Agora, a
empresa passa a ter de provar que ofereceu condições
para que o empregado não adoecesse. Assim, a associação
entre enfermidade e trabalho tornou-se quase automática.
“Grande
parte desses números é proveniente do setor de
serviços”, afirma Remígio Todeschini, diretor
do Departamento de Políticas Públicas de Saúde
e Segurança Ocupacional da Previdência Social.
Há,
contudo, quem considere que o salto entre 2006 e 2008 ainda
não reflita a realidade. Para Walcir Previtale, secretário
de saúde do Sindicato dos Bancários e Financiários
de São Paulo, Osasco e Região, há subnotificação
dos casos.
“O
nexo não é respeitado pelos peritos, que também
não fundamentam os laudos”, diz.
O presidente
da Associação Nacional dos Médicos Peritos,
Luiz Carlos de Teive e Argolo, rebate afirmando que “cabe
ao perito reconhecer ou não o nexo, e é obrigação
dele dar um laudo bem fundamentado”.
Trabalhador
há 20 anos do setor bancário, G.B. sofre de LER
e afirma ter piorado após sair da reabilitação
do INSS. Segundo ele, voltou para a mesma função,
de caixa de banco. Com o esforço, o tendão do
ombro se rompeu.
Fonte: Folha
de S. Paulo