Marinho
exige respeito à lei em contratos públicos
Por: Deise Cavignato (deise@abcdmaior.com.br)
Marinho assinou decreto do trabalho decente no canteiro de obras
do Conjunto Habitacional Três Marias. Foto; Amanda Perobelli
Fornecedores da Prefeitura que não seguirem leis e normas
trabalhistas poderão ter contratos rescindidos; construção
civil será observada
O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), assinou
nesta quinta-feira (13/05) o Decreto Municipal do Trabalho Decente.
Com a medida, as empresas prestadoras de serviços à
Prefeitura deverão garantir aos funcionários o
cumprimento das normas da OIT (Organização Internacional
do Trabalho).
“Esse
instrumento dá mais força aos protestos e penalizações
contra fornecedores da Prefeitura”, afirmou o secretário
de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo, Jefferson
José da Conceição. De acordo com o secretário,
a Prefeitura poderá não renovar o contrato das
empresas que não cumprirem o compromisso.
Durante
a assinatura, Marinho afirmou que o setor de construção
civil é um dos que mais sofre com a precarização
do trabalho. “Não teremos mais alojamentos nas
construções porque não queremos importar
trabalhadores de outros Estados. Os operários nem sempre
voltam para sua origem e vivem em péssimas condições”,
explicou.
O ato da
assinatura aconteceu no canteiro de obras do Conjunto Habitacional
Três Marias, no bairro Cooperativa. O decreto é
pioneiro em todo o País. “O município conta
atualmente com 11 grandes obras programadas vinculadas a projetos
como o Minha Casa Minha Vida e o PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento), por meio dos quais não serão
gerados apenas milhares de postos de trabalho, mas principalmente
postos de trabalho com qualidade”, garantiu o prefeito.
A medida
poderá ser ampliada para as demais cidades do ABCD caso
as Prefeituras tenham a mesma iniciativa.
Conceito
- O coordenador da área de Emprego Decente da OIT, Paulo
Sérgio Muçouçah, afirma que a iniciativa
desmistifica que o poder público não pode assumir
o conceito do trabalho decente. “Não é só
a Prefeitura que tem que se empenhar. As empresas que seguem
os critérios do trabalho decente refletem uma imagem
positiva. Isso funciona como vantagem em relação
as outras”, disse.
O diretor
titular do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de
São Paulo) regional de Santo André, Shotoku Yamamoto,
falou que os empresários também apóiam
o conceito. “Podemos indicar que as empresas associadas
abram as portas das indústrias para essa finalidade.”
Yamamoto
destaca a falta de registro em carteira como o pior problema
do trabalho indecente. “Muitas empresas operam na informalidade
e não pagam benefícios para os trabalhadores.
Isso influencia os microempreendedores a apelarem para este
tipo de contratação para manter os preços
competitivos”, destacou.
Oportunidade
- Outro decreto assinado por Marinho nesta quinta-feira é
o do programa Vida Nova. A medida prevê atividades de
ações culturais, educativas e de capacitação
profissional com inserção e reinserção
social no mercado de trabalho para egressos do sistema penintenciário.
Fim do trabalho precário
O ajudante
de pedreiro, Emerson Pichinim, é um dos trabalhadores
que já sofreu com a precarização do trabalho.
Pichinim trabalha a cinco anos na construção civil
e foi terceirizado. “Os terceiros eram menosprezados pelos
patrões. Prometeram efetivar e não foi cumprido,
além disso, ganhávamos menos do que os registrados”,
queixou-se. Atualmente, o trabalhador do Conjunto Habitacional
Três Marias tem registro em carteira e consegue pagar
aluguel da casa onde mora e pensão para dois filhos.
Para o secretário
de São Bernardo, Jefferson José da Conceição,
a terceirização é uma das esferas da precarização
e existe até no serviço público brasileiro.
“Os serviços de alimentação, laboratórios
e limpeza em hospitais são terceirizados. Se não
tiver um treinamento, os doentes serão prejudicados.
Os próprios trabalhadores podem ser vítimas do
lixo hospitalar”, indicou.
O presidente
do Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
da Construção e do Mobiliário) de São
Bernardo e Diadema, Cladeonor Neves da Silva, acredita que o
Decreto Municipal do Trabalho Decente de São Bernardo
veio para criar consciência nos locais de trabalho. “É
um passo para começar a mudar a mentalidade da Região
e do País.”
O diretor
da construtora OAS Construtora, Marcel Vieira, responsável
pela obra do Três Marias, no bairro Cooperativa, afirma
que a parceria com a Prefeitura busca novas formas de dar dignidade
aos trabalhadores. “No canteiro de obras damos aulas de
alfabetização e treinamento. Com esse decreto
ofereceremos mais dignidade aos trabalhadores”, finalizou.
Conferência apontará problemas
A 1ª
Conferência Regional de Trabalho Decente do ABCD teve
início nesta quinta-feira (13/05), com o objetivo de
tornar público o compromisso da Região com o Trabalho
Decente. Durante a Conferência, os participantes poderão
conceber e encaminhar propostas para a solução
dos problemas relacionados ao trabalho indecente na Região.
O secretário
de Desenvolvimento Econômico e de Trabalho e Renda de
Mauá, Edílson de Paula, destaca que o evento é
o resultado de seis oficinas temáticas realizadas durante
as últimas semanas nos municípios do ABCD. “O
diagnóstico destas oficinas nos ajudarão a estabelecer
as metas a serem cumpridas.”
Nesta sexta-feira
(14/05), último dia do evento, serão identificadas
as demandas prioritárias, que nortearão a constituição
da Agenda Regional de Trabalho Decente do ABCD, documento que
descreverá ações específicas para
o combate ao trabalho indecente na Região.
A Conferência
Regional conta com a participação de movimentos
sindicais, empregadores, OIT, Prefeituras do ABCD e representante
do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).
Confira os desafios para o trabalho decente no ABCD:
- Combater
a alta rotatividade e a precarização do trabalho;
- Reduzir a disparidade entre o volume de homens e mulheres
em cargos de chefia;
- Reduzir a ocorrência de doenças e acidentes relacionados
ao trabalho;
- Promover campanhas de apoio ao trabalho com carteira assinada
e a valorização do trabalhador com mais de 40
anos de idade;
- Analisar a terceirização e as condições
do trabalho doméstico na Região;
- Conscientizar a população sobre a importância
do equilíbrio entre a vida familiar e a vida no trabalho;
- Incentivar as iniciativas da economia solidária;
- Facilitar o acesso ao trabalho e a qualificação
de portadores de deficiência