O
que você precisa saber sobre diabetes
Insulina e diabetes
por Dr. Dana Armstrong e Dr. Allen Bennett King - traduzido
por HowStuffWorks Brasil
Introdução
Por mais
que seja desagradável aplicar em si mesmo uma injeção,
isso não se compara às complicações
devastadoras a longo prazo que a diabetes descontrolada pode
causar.
Basta mencionar
a palavra insulina que praticamente qualquer pessoa terá
uma história para contar, geralmente sem um final feliz.
"Minha tia Grace começou a usar insulina e logo
depois ficou cega." "Eu conheço esse menino,
ele toma insulina e está sempre doente." "Uma
amiga começou a tomar insulina e engordou 20kg no ano
passado." Além de histórias pessoais como
essas, profissionais da área da saúde são
conhecidos por ameaçarem seus pacientes com a insulina
como uma ferramenta motivacional. Dizem ao paciente "Se
você não colaborar, tomar as pílulas, seguir
rigorosamente a dieta e fazer exercícios regularmente,
terei que colocá-lo na insulina" ou "Se não
conseguir fazer isso, a única opção que
restará será tentar a insulina."
Por esses
motivos, e pelo simples fato de que pouquíssimos de nós
gostamos da idéia de enfiar uma agulha na pele, a insulina
sempre foi vista como o final da linha, em que não há
mais esperança. Isso definitivamente não é
verdade. Para compreender a necessidade de insulina, lembre-se
da natureza progressiva e crônica da diabetes. Você
precisa se lembrar de que o inimigo não é a insulina,
mas os níveis descontrolados de glicose e precisa ficar
de olho na principal meta: uma vida sem complicações
de diabetes.
 |
A diabetes
é uma doença crônica em que os níveis
sangüíneos de glicose (açúcar) estão
aumentados. Você pode começar o tratamento com
mudanças na dieta e aumento da atividade física;
então, precisará tomar uma pílula; depois,
duas pílulas; em seguida, um punhado de pílulas;
e finalmente, um punhado de pílulas e insulina, tudo
para manter seus níveis de glicose dentro do normal.
Devido à natureza progressiva da diabetes, se você
viver bastante tempo, precisará de insulina. Alguns precisam
mais cedo que outros, e talvez você precisasse viver até
os 137 até que necessitasse de insulina. Mas com base
no que sabemos sobre a diabetes atualmente, e sobre os tratamentos
que temos disponíveis hoje em dia, no fim, você
precisaria de insulina.
As pessoas
geralmente dizem que fariam qualquer coisa para deixar a diabetes
sob controle; qualquer coisa, menos injeção de
insulina. A insulina é vista por muitos portadores de
diabetes como um sinal de fracasso completo: eles perderam o
controle da diabetes e não há mais esperança.
Agora, eles têm o tipo de diabetes "ruim".
Na realidade,
existem somente dois tipos de diabetes: o tipo que está
sob controle e o tipo que não está, e você
quer fazer parte do grupo controlado e sem complicação.
O que você precisa fazer para manter seu nível
de glicose sob controle de maneira alguma indica fracasso ou
sucesso, bom ou ruim, sério ou não. Toda diabetes
é séria, independentemente do tipo que você
tem. Empenhe-se em fazer o que for necessário para se
manter saudável. Níveis elevados de glicose resultam
em complicações, e se você precisar injetar
insulina para prevenir essas complicações, faça!
Esse artigo
dirá tudo o que você precisa saber sobre a insulina,
desde sua história como uma opção de tratamento
para a diabetes até as várias maneiras como é
usada atualmente. A próxima seção fornece
algumas histórias necessárias sobre a insulina.
A
história da insulina
Em 23 de
janeiro de 1922, na Universidade de Toronto, o Dr. Frederick
Banting e seu aluno C. H. Best fizeram uma das maiores descobertas
do século 20. Usaram, com sucesso, a insulina para tratar
uma pessoa com diabetes, doença que, até aquela
época, era uma sentença de morte automática
a qualquer pessoa que a tivesse.
Antes
dessa descoberta, não havia tratamento para a diabetes.
Os portadores do tipo 1 morriam rapidamente, enquanto os portadores
do tipo 2 morriam mais lentamente, sofrendo de complicações
horríveis antes da morte. A Universidade de Toronto imediatamente
deu às empresas farmacêuticas licença para
produzir insulina com isenção de pagamento dos
direitos. No início de 1923, aproximadamente um ano após
a primeira injeção de teste, a insulina se tornou
amplamente disponível, quando Eli Lilly and Company passaram
a vender o Iletin, a primeira insulina comercialmente disponível,
extraída do pâncreas de animais abatidos.
 |
A insulina
animal funcionou bem, salvando milhões de vidas, mas
não era exatamente compatível com o hormônio
humano e, às vezes, provocava efeitos colaterais, como
erupções na pele e reações alérgicas,
que resultavam em perda de tecido nos locais da injeção.
Nos 60 anos seguintes, a insulina se tornaria uma das proteínas
mais estudadas no mundo. Durante esse tempo, os portadores de
diabetes contavam com um hormônio purificado de animais,
principalmente de bois e porcos.
Em 1978,
uma jovem empresa de biotecnologia chamada Genentech produziu
a primeira insulina fabricada sinteticamente, que poderia ser
produzida em grande quantidade. Usando bactérias ou leveduras
como "fábricas" em miniatura, o gene para a
insulina humana foi inserido no DNA bacteriano. O resultado
foi a insulina humana, chamada de insulina de DNA recombinante,
que não provocou os problemas que a insulina animal às
vezes provocava.
Quando se
tornou largamente acessível no início dos anos
80, essa nova insulina mudou para sempre o tratamento da diabetes.
Hoje, praticamente todos os portadores de diabetes que precisam
de insulina usam uma forma de insulina humana recombinante em
vez de insulina animal.
São
usados muitos tipos de insulina para tratar a diabetes. A próxima
seção explicará cada tipo.
Os
tipos de insulina
Se você
precisa de insulina, a decisão a ser tomada deve ser
a melhor. Uma coisa que sabemos sobre a insulina é que
ela sempre funciona. Ela diminuirá seus níveis
de glicose quando usada corretamente, na quantidade exata e
nas horas certas.
A insulina
é uma pequena molécula equivalente à proteína
secretada pelas células beta no pâncreas. Suas
maiores funções são fazer com que seus
músculos e células gordurosas absorvam a glicose
e pedir ao fígado que fabrique menos glicose. Se tem
diabetes tipo 1, você é dependente da insulina,
já que precisa das injeções de insulina
para viver. Seu pâncreas não fabrica insulina suficiente,
para manter as funções de seu corpo. Se tem diabetes
tipo 2, você pode precisar de insulina para complementar
a quantidade que seu pâncreas produz para manter as funções
normais.
Existem diferentes tipos de insulina, todos com características
diferentes. Ao determinar a melhor insulina para você,
há três características importantes a serem
compreendidas e consideradas. A primeira é o tempo de
ação da insulina. É o tempo que leva para
a insulina chegar à corrente sangüínea e
começar a diminuir seu nível de glicose.
A próxima
é o pico da insulina. É a hora em que a insulina
está no seu ponto máximo em termos de redução
do nível de glicose. A última característica
da insulina é sua duração. É o tempo
que a insulina permanece no corpo, continuando a trabalhar e
diminuir seus níveis de glicose.
Ao compreender
essas características, você e a equipe que trata
de você têm vários tipos diferentes de insulina
a levar em consideração. Com bastante freqüência,
essas insulinas serão usadas em uma espécie de
combinação para atender as suas necessidades de
início, pico e duração da ação.
E, embora as características dos tipos da insulina tenham
sido estudadas e documentadas detalhadamente, você precisa
entender que existe uma singularidade em cada um de nós
e que sua resposta a cada insulina pode variar em relação
ao que se espera.
Por essa
razão, fazer anotações completas e detalhadas
dos resultados dos exames de sangue (glicemia) e do efeito das
injeções de insulina é de extrema importância
para poder compreender como funciona a insulina no seu corpo
especificamente.
Quando a
insulina foi disponibilizada pela primeira vez em 1923, havia
apenas um tipo, a insulina comum. Embora fosse de origem animal,
ainda está disponível hoje, em uma forma de DNA
recombinante. A insulina comum, também chamada de insulina
R, é uma insulina de ação curta que geralmente
começa a funcionar dentro de 30 a 60 minutos, chega ao
pico 2 a 4 horas depois da injeção e geralmente
está fora do seu organismo entre 6 e 8 horas.
No início
da terapia com insulina, as agulhas usadas para injetar a insulina
eram grossas e precisavam ser afiadas manualmente antes de cada
uso com uma pedra de amolar ou um couro de afiar navalhas. As
seringas eram de vidro e precisavam ser fervidas e limpas diariamente.
A dor e a inconveniência provocadas impulsionaram o desenvolvimento
de uma insulina de ação mais longa, de modo que
fossem necessárias menos injeções.
Nos anos
50, pesquisadores europeus desenvolveram dois novos preparados
de insulina que reduziram as quatro ou seis injeções
necessárias por dia para duas. O primeiro desses novos
preparados de insulina foi a insulina NPH, que acrescentou uma
proteína de peixe, a protamina, à insulina comum
para retardar sua absorção. A NPH é uma
insulina de ação intermediária que geralmente
começa a funcionar em 2 a 4 horas, chega ao pico em 6
a 10 horas e sai do sistema em 16 a 24 horas. O outro novo preparado
produziu dois tipos de insulina, a insulina Lenta e Ultralenta.
Essas insulinas foram produzidas cristalizando-se a insulina
comum em diferentes graus.
Com a cristalização
da insulina, leva mais tempo para ela ser absorvida, prolongando,
assim, sua ação no corpo. A insulina Lenta, uma
insulina de ação intermediária, como a
NPH, geralmente começa a funcionar em 3 a 4 horas, chega
ao pico em 6 a 12 horas e dura de 20 a 26 horas. Em comparação,
a Ultralente é cristalizada a um grau maior e é
considerada uma insulina de ação prolongada. Geralmente,
começa a funcionar em 4 a 6 horas, chega ao pico em 10
a 20 horas e costuma sair do corpo 24 a 36 horas depois da injeção.
Devido a sua ação prolongada, geralmente é
chamada de insulina "sem pico", com uma liberação
aparentemente contínua durante um longo período
de tempo.
Entretanto,
estudos mostraram que a insulina Ultralenta é absorvida
em graus em diferentes pessoas diferentes. Para algumas pessoas,
a Ultralenta funciona como uma insulina de ação
intermediária, enquanto para outras, tem ação
longa. Há insulinas mais recentes: a Lantus, também
conhecida como glargina e a Lispro. a glargina é a verdadeira
insulina "sem pico". Ela é aplicada uma vez
por dia e, funciona igualmente por 24 horas. A Lantus pode substituir
a NPH, mas, em virtude de ter uma ação direta
e sem pico, ela não faz nada para diminuir o aumento
da glicose quando se come. Além disso, por ter um pH
menor do que o de outras insulinas (tornando-a mais ácida),
ela pode arder quando injetada e não pode ser misturada
com outras insulinas na mesma seringa.
Um quarto
tipo de insulina consiste nas insulinas de ação
rápida como a insulina lispro e a insulina aspart. Esse
tipo de insulina começa a fazer efeito 5 a 10 minutos
depois de injetada, chega ao pico cerca de 1 a 2 horas e sai
em aproximadamente 3 a 5 horas. Essa insulina mais recente age
muito mais rápido do que a insulina comum e pode ser
injetada pouco antes da refeição, em vez de 30
minutos antes, tempo recomendado para a insulina comum. Já
que funciona tão rápido, o ideal é manter
os níveis de glicose no sangue baixos logo após
a refeição. Além disso, em virtude de ser
removida do corpo rapidamente, há menos risco de hipoglicemia.
Devido à
ação rápida dessas insulinas, há
mais flexibilidade no planejamento das refeições,
um benefício real de estilo de vida para as pessoas que
devem usar insulina. Outro tipo de insulina é insulina
pré-misturada. As insulinas pré-misturadas consistem
de diferentes insulinas que são combinadas em porcentagens
estabelecidas. Essas insulinas são adequadas para algumas
pessoas que combinam duas insulinas diferentes juntas, como
a NPH e a comum. A mistura mais típica é 70% de
NPH e 30% de comum, chamada de insulina 70/30.
A insulina
pré-misturada pode ser usada por aqueles que não
querem ou estão desmotivados a tomar várias injeções
diariamente, por aqueles que não conseguem ou não
querem testar com freqüência os níveis de
glicose no sangue, por aqueles que têm problema em tirar
insulina de dois frascos diferentes e por aqueles incapazes
de ajustar a dosagem de insulina com base nas leituras de glicose
no sangue. É mais difícil atingir o controle com
as insulinas pré-misturadas do que aplicando várias
vezes a insulina durante o dia.
Geralmente,
você é incapaz de chegar ao controle normal da
glicose usando uma insulina pré-misturada, e a principal
meta desse tipo de terapia rígida com insulina é
prevenir os níveis baixos e muito altos de glicose no
sangue.
Evidentemente,
a insulina somente funcionará se for administrada corretamente.
A próxima seção explora a forma como a
insulina é usada.
Usar insulina
A insulina
é uma proteína e, por isso, não pode ser
usada oralmente, pois os sucos digestivos do corpo a destruiriam;
ela deve ser administrada por injeção. O tempo
e a freqüência das injeções de insulina
dependem de vários fatores, incluindo o tipo de insulina,
a quantidade, o tipo de alimento ingerido e o nível pessoal
de atividade física. Com o teste freqüente de seus
níveis de glicose no sangue e o trabalho em conjunto
com sua equipe de tratamento para analisar seus padrões
de glicose, você e sua equipe identificarão a insulina
certa que "serve" para você.
Uma vez
que os padrões forem identificados, você precisa
escolher o sistema de distribuição de insulina
que seja indicado a você. Até pouco tempo, sua
única opção era uma seringa de vidro com
agulha destacável "afiada após cada uso".
Com o avanço da tecnologia do metal, ela foi substituída
pela combinação agulha e seringa descartáveis,
com uma agulha muito afiada, forte e significativamente mais
fina (e menos dolorosa). Atualmente, as agulhas de seringa são
tão pequenas que, na maioria dos casos, a injeção
é quase indolor. Você geralmente precisa observar
se a agulha atravessou a pele ao aplicar uma injeção
em si mesmo. E quando questionada, a maioria das pessoas que
usa insulina diz que é mais trabalhoso, e mais doloroso,
testar sua glicose do que administrar uma injeção.
Embora as seringas tenham melhorado muito ao longo desses últimos
75 anos, a insulina ainda precisa ser tirada de um frasco. Isso
pode ser um inconveniente para alguém que tenta levar
uma vida ativa e normal, e estudos revelaram que doses mal calculadas
de insulina são muito comuns. Questões como essas
levaram ao desenvolvimento de canetas de insulina, usadas primeiro
na Europa e, depois, introduzidas nos Estados Unidos no início
dos anos 90. Uma caneta de insulina assemelha-se a uma caneta-tinteiro,
exceto pelo fato de que a insulina fica onde você normalmente
encontraria um cartucho de tinta, e uma agulha substitui a ponta
da caneta.
Você
"define" a dose desejada de insulina e, em seguida,
pressiona a parte superior para tirá-la. A simplificação
do processo aumentou a flexibilidade das injeções
freqüentes de insulina (especialmente aquelas no meio do
dia, quando as pessoas provavelmente estavam fora de casa) e
aumentou a precisão das doses aplicadas. As canetas de
insulina vêm em dois tamanhos, com cartuchos de 150 ou
300 unidades, e na maioria dos tipos de insulina.
Apesar desses
avanços e de sua flexibilidade melhorada, ainda existem
vários obstáculos na estrada para o melhor controle
da glicose. O primeiro "obstáculo" é
a dificuldade de acertar com precisão a variabilidade
de pico das insulinas de ação intermediária
e longa com o aumento dos níveis de glicose quando você
ingere o primeiro alimento de manhã. Isso é chamado
de fenômeno do amanhecer e é causado pelo fígado,
que aumenta sua saída de glicose toda noite, por volta
das 3 da manhã, preparando-se para o dia seguinte. Para
atender exatamente as suas necessidades de insulina, o ideal
é não usar nenhuma insulina de ação
longa, mas levantar-se sempre às 3 da manhã e
injetar a insulina comum, de modo a corrigir essa condição.
Uma vez que isso não se faz para um bom plano de tratamento
a longo prazo, as insulinas de duração mais longa
eram a melhor alternativa.
O segundo
problema ocorre quando a taxa de absorção da insulina
não corresponde ao aumento de glicose após as
refeições. Essa variação pode ser
resultado dos locais que você escolhe para aplicar a injeção
ou do uso repetido de um local favorito. Para todas as insulinas,
exceto para as mais novas, sua taxa de absorção
depende de onde você a injeta. As injeções
de insulina no estômago agem mais rápido que as
injeções no braço, as injeções
no braço agem mais rápido que as na perna, e as
injeções nas nádegas, de todas, são
as de ação mais lenta.
O fluxo
sangüíneo até o local da injeção
também controla a absorção, então,
a pele fria resulta em absorção mais lenta que
a pele quente. O fluxo sangüíneo também é
alterado quando as injeções são continuamente
dadas no mesmo local, pois o excesso de insulina em uma área
favorece o crescimento de tecido gorduroso, chamado de lipodistrofia.
Esse tecido gorduroso possui poucos vasos sangüíneos
e, por isso, absorve a insulina de maneira insuficiente. Com
a mudança dos locais da injeção (dê
uma picada cerca de 2,5cm do local da última injeção),
você geralmente pode evitar esse problema.
Embora as
seringas tenham melhorado muito ao longo desses últimos
75 anos, a insulina ainda precisa ser tirada de um frasco. Isso
pode ser um inconveniente para alguém que tenta levar
uma vida ativa e normal, e estudos revelaram que doses mal calculadas
de insulina são muito comuns. Questões como essas
levaram ao desenvolvimento de canetas de insulina, usadas primeiro
na Europa e, depois, introduzidas nos Estados Unidos no início
dos anos 90. Uma caneta de insulina assemelha-se a uma caneta-tinteiro,
exceto pelo fato de que a insulina fica onde você normalmente
encontraria um cartucho de tinta, e uma agulha substitui a ponta
da caneta.
Você
"define" a dose desejada de insulina e, em seguida,
pressiona a parte superior para tirá-la. A simplificação
do processo aumentou a flexibilidade das injeções
freqüentes de insulina (especialmente aquelas no meio do
dia, quando as pessoas provavelmente estavam fora de casa) e
aumentou a precisão das doses aplicadas. As canetas de
insulina vêm em dois tamanhos, com cartuchos de 150 ou
300 unidades, e na maioria dos tipos de insulina.
Apesar desses
avanços e de sua flexibilidade melhorada, ainda existem
vários obstáculos na estrada para o melhor controle
da glicose. O primeiro "obstáculo" é
a dificuldade de acertar com precisão a variabilidade
de pico das insulinas de ação intermediária
e longa com o aumento dos níveis de glicose quando você
ingere o primeiro alimento de manhã. Isso é chamado
de fenômeno do amanhecer e é causado pelo fígado,
que aumenta sua saída de glicose toda noite, por volta
das 3 da manhã, preparando-se para o dia seguinte. Para
atender exatamente as suas necessidades de insulina, o ideal
é não usar nenhuma insulina de ação
longa, mas levantar-se sempre às 3 da manhã e
injetar a insulina comum, de modo a corrigir essa condição.
Uma vez que isso não se faz para um bom plano de tratamento
a longo prazo, as insulinas de duração mais longa
eram a melhor alternativa.
O segundo
problema ocorre quando a taxa de absorção da insulina
não corresponde ao aumento de glicose após as
refeições. Essa variação pode ser
resultado dos locais que você escolhe para aplicar a injeção
ou do uso repetido de um local favorito. Para todas as insulinas,
exceto para as mais novas, sua taxa de absorção
depende de onde você a injeta. As injeções
de insulina no estômago agem mais rápido que as
injeções no braço, as injeções
no braço agem mais rápido que as na perna, e as
injeções nas nádegas, de todas, são
as de ação mais lenta.
O fluxo
sangüíneo até o local da injeção
também controla a absorção, então,
a pele fria resulta em absorção mais lenta que
a pele quente. O fluxo sangüíneo também é
alterado quando as injeções são continuamente
dadas no mesmo local, pois o excesso de insulina em uma área
favorece o crescimento de tecido gorduroso, chamado de lipodistrofia.
Esse tecido gorduroso possui poucos vasos sangüíneos
e, por isso, absorve a insulina de maneira insuficiente. Com
a mudança dos locais da injeção (dê
uma picada cerca de 2,5cm do local da última injeção),
você geralmente pode evitar esse problema.
Finalmente, às vezes, é difícil atender
às necessidades diárias e básicas de insulina.
Sua necessidade básica de insulina, também chamada
de basal, é o que seu corpo precisa para funcionar quando
você está em jejum entre as refeições.
A mesma variação que está associada ao
fenômeno do amanhecer ocorre em algumas pessoas de uma
forma mais leve também durante o dia.
Finalmente, às vezes, é difícil atender
às necessidades diárias e básicas de insulina.
Sua necessidade básica de insulina, também chamada
de basal, é o que seu corpo precisa para funcionar quando
você está em jejum entre as refeições.
A mesma variação que está associada ao
fenômeno do amanhecer ocorre em algumas pessoas de uma
forma mais leve também durante o dia.
Para lidar
com esses problemas e atender às necessidades das pessoas
que desejam o melhor controle de glicose possível, no
final da década de 70, foi apresentada a bomba de insulina,
que fornecia continuamente insulina comum diretamente sob a
pele. Infelizmente, as primeiras bombas não eram muito
confiáveis.
Nos anos 90, foram acrescentadas dobras, e as bombas melhoraram
tanto que, atualmente, são consideradas o melhor método
de aplicação de insulina em quase todas as pessoas
que precisam dela. A quantidade de pessoas que utilizam bombas
nos Estados Unidos cresceu de 20 mil, em 1995, para mais de
80 mil em 1999. Esse número tem crescido para mais de
20 mil novos usuários de bombas a cada ano e continua
subindo.
As bombas
modernas são bastante semelhantes às bombas de
infusãointravenosa (EV) usadas em hospitais para distribuir
medicamentos. Geralmente têm o tamanho de um pager e pesam
cerca de 113 g. Cada bomba possui um tubo plástico fino,
com uma extremidade conectada ao reservatório de insulina
dentro da bomba e a outra extremidade a um cateter plástico
fino. Esse cateter geralmente é colocado sob a pele do
abdome usando-se uma agulha de inserção, que é
removida depois que o catéter está no lugar. O
local do cateter muda a cada dois a três dias.
Isso significa que, em vez de serem necessárias 8 a 12
injeções de insulina durante um período
de dois a três dias, você precisa apenas de uma
injeção de agulha para colocar o cateter, durante
o mesmo período, quando usa uma bomba. Sua bomba de insulina
é programada para aplicar insulina a uma taxa específica
durante o dia e a noite (sua taxa basal) para compensar o fenômeno
do amanhecer e atender as suas necessidades básicas diárias.
Com isso, você fica livre para comer a qualquer momento,
além de não ficar mais amarrado às horas
das injeções de insulina, o que reduz significativamente
o risco de hipoglicemia. Sempre que comer, você simplesmente
direciona a bomba para aplicar a insulina para equilibrar a
quantidade de comida que você deseja ingerir.
Mas existem aspectos negativos sobre a bomba. Uma das maiores
desvantagens é o risco de infecção no local
de inserção. Isso geralmente é remediado
ao certificar-se de que o local muda o suficiente e que é
usada uma técnica de inserção boa e adequada.
Outros problemas sérios são os altos níveis
de glicose e a cetoacidose que podem ocorrer se a distribuição
de insulina for interrompida por mais de algumas horas. Isso
pode acontecer se a bomba não funcionar direito, o tubo
ficar dobrado ou bloqueado, ou a bomba trabalhar sem insulina.
Com todas as campainhas e apitos disponíveis nas bombas
atuais, contudo, um usuário atento logo percebe um problema
desse tipo na bomba antes da distribuição da insulina
ser interrompida por qualquer período longo de tempo.
Os dois últimos obstáculos tendem a ser o custo
(uma bomba custa em média US$ 5 mil) e a questão
de estar constantemente "presa" a alguma coisa. Embora
o custo de uma bomba seja assustador, o custo de se manter um
portador de diabetes saudável é bem menor do que
tratar alguém com complicações.
Muitas companhias de seguro estão ficando mais conscientes
disso e começando a achar que o custo da bomba é
pequeno se comparado aos custos, a longo prazo, dos cuidados
médicos de alguém debilitado e com baixo controle.
Por essa razão, com autorização prévia,
muitas companhias de seguro, cobrem as bombas de insulina. Entretanto,
isso não ocorre no Brasil.
Finalmente, a preocupação de estar preso a uma
máquina geralmente desaparece rapidamente. As bombas
são tão pequenas que são facilmente guardadas
no bolso, presas ao cinto ou escondidas embaixo das roupas.
Não ficou convencido? Veja as figuras de Nicole Johnson,
Miss Estados Unidos 1999, que estava com um vestido durante
a competição. Dependente de insulina, ela ficou
com a bomba ligada durante todo o tempo, exceto no momento da
roupa de banho.
Cetoacidose
As pessoas
cujos corpos não produzem mais insulina e, por isso,
precisam de injeções de insulina, correm risco
de desenvolverem uma séria complicação
chamada de cetoacidose. A cetoacidose é conseqüência
dos altos níveis de cetonas no sangue. Se você
usa insulina, precisa entender o que é a cetoacidose,
por que acontece, como detectá-la e o que fazer quando
ela ocorre.
As cetonas
são formadas quando o corpo não tem insulina suficiente
para permitir que ele use a glicose como energia. Sem a insulina
necessária, ele simplesmente não consegue introduzir
a glicose nas células. Em vez disso, o corpo tenta quebrar
a gordura armazenada para produzir combustível disponível
às células. A gordura das células gordurosas
é quebrada em ácidos graxos, que passam através
do fígado e formam as cetonas. As cetonas começam
a se formar no sangue; e vão para a urina.
Em níveis
altos, as cetonas no sangue são tóxicas e podem
provocar cetoacidose diabética, que é uma emergência
médica. As cetonas podem ser detectadas através
de um simples teste de urina, que você pode fazer em casa
(pode comprar as tiras de teste em qualquer farmácia
sem receita médica). Contudo, é importante que
você discuta primeiro com sua equipe sobre quando fazer
o teste das cetonas e o que fazer se detectar um nível
elevado. Recomenda-se geralmente que a urina seja testada para
detecção de cetonas:
-
quando o açúcar no sangue for superior a 240 mg/dia
- durante qualquer doença aguda - como pneumonia ou gripe
grave
- quando ocorrer náusea e/ou vômito
durante a gestação - verifique com seus médicos
a freqüência
Se a leitura de cetonas na urina for acima do normal, especialmente
se acompanhada de um nível elevado de glicose no sangue,
consulte um médico imediatamente. Novamente, procure
saber primeiro se existem quaisquer outras situações
em que seu médico gostaria que você testasse a
urina com mais freqüência para detectar a presença
de cetonas.
Como verá
na seção final, há muitas inovações
associadas à insulina que proporcionam ainda mais otimismo
para o controle da diabetes no futuro.
O futuro da insulina
Então,
o que o futuro da insulina considera? Para começar, a
eliminação da necessidade de injeções.
Vários outros métodos de aplicação
já foram testados e usados, mas com sucesso limitado,
se é que houve algum. Dispositivos mecânicos, chamados
de injetores a jato, usam ar comprimido para forçar a
insulina sob a pele. São caros, volumosos e podem ainda
provocar dor. Já se tentou administrar a insulina pelo
nariz, mas sem sucesso, devido à irritação
que causou na mucosa. O uso de supositórios retais de
insulina antes das refeições foi rejeitado.
A principal promessa é um spray inalado que consegue
ser tão eficaz quanto as injeções. Esses
sistemas de aplicação de insulina inalada atualmente
estão sendo testados por pelo menos três fabricantes.
Com esses sistemas, os pacotes de insulina passam a ser espalhados
pelo ar em uma cavidade fechada e são, então,
inalados pela boca. Muitos especialistas em diabetes se surpreendem
porque a insulina inalada é rapidamente absorvida e não
é tóxica para os pulmões.
Uma desvantagem
é que a insulina permanece por menos de uma hora, de
modo que somente poderia ser usada para doses de insulina na
hora das refeições. Os sistemas atuais também
são grandes e requerem muita insulina para chegar ao
mesmo efeito que uma dose pequena injetada. Entretanto, grandes
estudos estão em andamento, esperando aprovação
do FDA dentro em breve.
Outros caminhos promissores de investigação são
o uso de pulsos de ultrassom para distribuir a insulina através
dos emplastros na pele; as pílulas de insulina de liberação
prolongada implantadas.
Embora as
bombas de insulina implantáveis estejam disponíveis
há anos, seu uso está avançando lentamente.
Uma concentração de insulina muito alta (U-400
e superior) é aplicada em bolos prefixados (para depois
das refeições) e em taxas basais (contínua)
e é programada usando-se um controle remoto externo.
A bomba precisa ser reabastecida a cada três meses, aproximadamente
e, até há pouco tempo, havia incidentes de bloqueio
no cateter de distribuição.
As reformulações da insulina a ser aplicada através
dessas bombas parecem ter melhorado a situação
de bloqueio. Com a combinação dessa bomba e de
um sensor de glicose implantável, o ciclo da diabetes
seria fechado, criando uma cura "mecânica" para
a doença. Tal sistema talvez se torne realidade em breve.
Entretanto, cientistas canadenses fizeram uma descoberta importante
na pesquisa sobre transplante de ilhotas. Eles demonstraram
uma possível cura para a diabetes tipo 1, cujos portadores
permaneceram independentes da insulina, com níveis normais
de glicose e sem efeitos colaterais ou complicações
significativas. Essa pesquisa levou a tentativas no mundo todo,
usando o que agora chamamos de Protocolo de Edmonton. Essa é
uma nova perspectiva para o tratamento da diabetes.
Mesmo que a insulina não seja a cura para a diabetes,
sua descoberta médicas salvou, e ainda salva, milhões
de vidas em todo o mundo. E embora esse feito ganhador do Prêmio
Nobel seja uma das maiores façanhas médicas já
vistas no Banting Museum em Londres, Ontário, a chama
da esperança ainda queima. Somente quando for encontrada
a cura, e não o tratamento, para a diabetes, é
que essa chama será apagada.