QUEDA
DE BRAÇO NO CONGRESSO:Projetos em curso no congresso
elevam gastos do INSS
Pressionados,
parlamentares mantém proposta de reajuste dos aposentados
em 7.71%. A tendência é a aprovação
pelo Congresso dessa proposta, mas Lula ameaça vetar
esse reajuste.
São
Paulo, sábado, 17 de abril de 2010,
Projetos
elevam gastos do INSS em
R$ 15 bi
Esse seria
o valor gasto a mais, a cada ano, apenas com propostas que beneficiam
aposentados; governo não concorda
Projeto
de maior impacto isenta do pagamento os aposentados do INSS
que permanecem em atividade ou voltam a trabalhar
DA SUCURSAL
DE BRASÍLIA
A seis meses
das eleições, o Congresso Nacional começou
a desovar propostas para beneficiar os aposentados do INSS que
podem elevar os gastos da Previdência Social em mais de
R$ 15 bilhões. Neste ano, as contas previdenciárias
devem fechar com deficit de R$ 50,7 bilhões, sem considerar
a aprovação dessas medidas.
O projeto com maior potencial de estrago nas contas da Previdência
foi aprovado, em caráter terminativo, na CAS (Comissão
de Assuntos Sociais) do Senado nesta semana.
A proposta isenta do pagamento de contribuição
previdenciária os aposentados do INSS que permanecem
em atividade no mercado de trabalho ou voltam a trabalhar.
De acordo com o governo, o projeto aumentaria os gastos da Previdência
entre R$ 10 bilhões e R$ 14 bilhões por ano. Embora
a proposta tenha sido aprovada em decisão terminativa,
o que a remeteria direto para a Câmara, líderes
do governo já afirmaram que a estratégia é
apresentar recurso para levar o assunto para outra comissão,
a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos).
Lá, os senadores da base aliada tentarão alterar
ou derrubar a proposta. Pelo texto aprovado, além da
isenção, os aposentados poderiam receber de volta
as contribuições recolhidas desde 1995. Isso elevaria
ainda mais o rombo na Previdência.
Conforme a Folha noticiou no dia 14 de março, aposentados
que permanecem em atividade vêm pedindo na Justiça
o direito de se desaposentar. Na desaposentação,
a pessoa abre mão de seu benefício atual para
obter um de maior valor com base nos novos recolhimentos.
A outra proposta em discussão no Congresso que poderá
implicar mais gastos para a Previdência é a medida
provisória que reajusta os benefícios acima de
um salário mínimo. Na MP, o governo concedeu aumento
de 6,14% aos aposentados, mas os parlamentares querem elevar
esse percentual.
Pressionados pelos aposentados, eles defendem aumento de 7,71%.
Durante as negociações com os deputados, o governo
chegou a ceder e aceitou 7%. Os senadores, porém, querem
7,71%, o que acabou gerando repercussão na Câmara.
O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) afirmou que o governo
não dará mais do que 7%.
Vários ministros já afirmaram que o governo não
aceita o percentual reivindicado. Sem o endosso do Executivo,
líderes da base governista e da oposição
no Congresso fecharam acordo pelo reajuste maior.
Reservadamente, negociadores do governo já dão
como certa a derrota na votação da MP, que está
marcada para o dia 27.
A tendência é que o aumento de 7,71% seja aprovado
no Congresso, e o presidente Lula vete o reajuste. Se aplicado,
esse índice aumentaria as despesas da Previdência
neste ano em mais R$ 1,8 bilhão. O percentual de 7% representaria
gasto adicional de R$ 1,1 bilhão.
O terceiro projeto foi aprovado na CAS, mas ainda voltará
a ser examinado pela comissão. Ele autoriza os aposentados
a sacar os recursos do FGTS a cada 12 meses.
Hoje, a Caixa Econômica Federal já reconhece o
direito de os aposentados em atividade movimentarem os recursos
a partir de uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).
Para os senadores, no entanto, esse reconhecimento estaria limitado
aos aposentados que continuaram trabalhando na mesma empresa.
O texto aprovado reduz ainda para 65 anos a idade mínima
para idosos sacarem seus recursos do fundo -mesmo que ainda
trabalhem e não sejam aposentados. Atualmente, a idade
mínima é de 70 anos.