AVIAÇÃO:
Lucro da Embraer dobra e chega a R$ 895 mi em 2008
REUTERS
A
Embraer, terceira maior fabricante de aviões comerciais
do mundo, mais que dobrou o lucro no ano passado.
Foram R$ 894,6 milhões, 108,6% a mais do que os R$ 428,8
milhões obtidos em 2008. A receita de 2009 ficou em R$
10,8 bilhões, ante R$ 11,7 bilhões do ano anterior.
Somente no último trimestre de 2009, por exemplo, o lucro
foi de R$ 167,5 milhões, revertendo prejuízo de
R$ 40,5 milhões no mesmo período de 2008, apesar
da queda de 32,4% na receita entre os dois trimestres.
O resultado foi consequência, sobretudo, de créditos
tributários. Enquanto nos três últimos meses
de 2008 houve despesa de R$ 227,5 milhões com impostos,
em igual período de 2009 houve receita de R$ 106,5 milhões.
O ano de 2009 foi marcado por uma série de cancelamentos
de encomendas nos segmentos de aviação comercial
e executiva, em meio à crise econômica global que
reduziu a demanda das companhias aéreas por aviões.
Para este ano, a Embraer informou que espera entregar 90 aviões
comerciais e 137 jatos executivos. Em 2009, foram entregues
244 unidades, incluindo também o segmento de defesa.
Em 18 de fevereiro, o Sindicato dos Metalúrgicos de São
José dos Campos informou que, nos últimos 12 meses,
a Embraer demitiu pelo menos outros 704 funcionários
além dos cerca de 4.200 dispensados no corte em massa
de fevereiro de 2009. Na época, a empresa não
confirmava esse número.
Não
ao oportunismo!
Demissão
em massa: Embraer contribui para o desemprego
(*)
Luiz Salvador
Aproveitando-se
da propalada crise provocada pelo modelo neoliberal de economia
de cassino, agora também a Embraer contribui com a desempregabilidade
no país ao acabar de também dispensar 4,2 mil
de seus empregados, ao argumento de que perdeu encomendas.
A
Embraer tem sido uma das empresas "cartão postal
do Brasil", obtendo grande lucratividade no seu seguimento
de "alta tecnologia", no setor aviação,
tornando-se referência mundial em preço, qualidade
e segurança.
A
despedida massiva já praticada destoa da política
governamental que tem exigido das empresas contrapartidas, não
praticando demissões massivas.
Durante
muitos anos a Embraer beneficiou-se de recursos públicos
para a conquista de seu "status" de hoje e como outros
empregadores se aproveita da propalada crise para também
contribuir com a desempregabilidade no país, preocupação
de um grupo de intelectuais e juristas (advogados, promotores,
juízes), assinaram um manifesto nacional, intitulado
“Não ao Oportunismo: Juristas se opõem à
flexibilização de direitos laborais na crise”
(Fonte: Blog do Alencar - http://blogdoalencar.blogspot.com/2009/02/nao-ao-oportunismo.html).
A
despedida massiva que recriminamos foi praticada ao arrepio
das normas de proteção ao primado do trabalho
e à empregabilidade digna assegurada pela Carta Cidadã
que subordinou o interesse patrimonialístico do lucro
ao atendimento da prevalência do social, atribuindo para
tanto a responsabilidade social às empresas, como parceira
do Estado para que este consiga cumprir seu principal objetivo
que é o da promoção do bem estar de todos,
sem exclusão, como se comprova pelos exames dos artigos;
-
1º, tendo como fundamento do Estado Democrático
de Direito, a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa
humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
-
3º em que os objetivos fundamentais tutelados são
o da construção de uma sociedade livre, justa
e solidária, garantia do desenvolvimento nacional, objetivando
a erradicação da pobreza, a marginalização
e a redução das desigualdades sociais e regionais,
bem como o da promoção do bem de TODOS (...).
Em
conclusão:
Nossa Carta Política, antes da autorização
de funcionamento empresarial para obtenção de
sua finalidade patrimonialista está o capital subordinado
à prevalência do social, devendo cumprir com sua
responsabilidade social e de colaboração na ajuda
e suporte a que as finalidades e objetivos fundamentais da República
Federativa do Brasil sejam plenamente atingidos, ou seja, o
da construção de uma sociedade livre, justa e
solidária, onde a empregabilidade e trabalho digno a
todos seja assegurado.
Leia
a notícia da demissão massiva já praticada
pela Embraer pelo sindicato dos metalúrgicos de São
José dos Campos:
"Embraer
faz demissão em massa e dispensa 4,2 mil trabalhadores
Sindicato
já havia alertado governantes sobre ameaça de
cortes
[19/02]
A Embraer demitiu nesta quinta-feira (19), 4,2 mil trabalhadores,
o equivalente a 20% do efetivo da empresa. Grande parte das
demissões aconteceu em sua fábrica de São
José dos Campos, em diferentes setores da produção.
A
Embraer possui hoje cerca de 21 mil trabalhadores, dos quais
cerca de 15 mil estão em São José dos Campos.
Num
comunicado interno, o presidente da Embraer, Frederico Curado,
confirma os cortes e alega que a empresa perdeu encomendas e,
por isso, está reduzindo seu quadro de pessoal.
É
a maior demissão em massa já anunciada pela empresa.
Mas a Embraer não comunicou oficialmente o Sindicato
dos Metalúrgicos sobre o número de demissões,
apesar dos insistentes pedidos da entidade nos últimos
meses para que fosse agendada uma reunião para discussão
sobre o assunto. O último pedido foi realizado ontem,
dia 19, conforme carta protocolada às 18h05.
No
momento em que a empresa iniciou as demissões, por volta
das 15h, o Sindicato realizava panfletagem e assembléia
com os trabalhadores justamente sobre os fortes boatos de demissões
que já circulava entre os trabalhadores e a necessidade
de resistência.
O
Sindicato vinha cobrando uma posição da empresa
com o objetivo de discutir a garantia de emprego dos trabalhadores
desde o ano passado. Foram enviados também pedidos de
audiência com o prefeito de São José dos
Campos, Eduardo Cury, com o governador José Serra e com
o presidente da República, Luiz Inácio Lula da
Silva.
Uma
reunião com o prefeito Eduardo Cury estava agendada para
amanhã, dia 20, mas foi antecipada para hoje, às
19h, no Paço Municipal.
"É
inadmissível que uma empresa que tanto lucrou e recebe
muito dinheiro público faça uma demissão
em massa como essa. E com requintes de crueldade, ao fazer isso
com os trabalhadores às vésperas do Carnaval.
Precisamos repudiar veementemente estas demissões e lutar
para que a empresa volte atrás nessa medida", afirma
o presidente do Sindicato, Adilson dos Santos, o Índio.
"Esperamos
também que o prefeito, os governos estadual e federal
adotem medidas práticas e urgentes para intervir nessa
grave situação. Não adianta vir com propostas
irrelevantes de banco de currículos. Essas demissões
terão um impacto extremamente negativo em toda a cadeia
produtiva da cidade", disse Índio.
Reestatização
da Embraer
Entre
as alternativas defendidas pelo Sindicato para evitar demissões
estão a redução da jornada de trabalho
sem redução de salários e de direitos,
já que a Embraer tem a maior jornada entre as empresas
aeronáuticas em todo o mundo (43h semanais), bem como
estabilidade no emprego e reestatização da empresa.
A
Embraer é uma das principais beneficiadas por dinheiro
público no país através do BNDES. Desde
sua privatização, em 1995, a Embraer já
recebeu cerca de 7 bilhões de dólares por meio
de financiamentos.
"É
inaceitável que uma empresa receba uma quantia tão
alta, vinda dos cofres públicos, e demita mais de 4 mil
funcionários. Vamos iniciar imediatamente uma intensa
campanha pela readmissão dos trabalhadores e reestatização
da Embraer", afirma Índio.
Coletiva
à imprensa:
O Sindicato vai iniciar uma forte ofensiva contra as demissões.
Nesta
sexta-feira, dia 20, às 11 horas, o Sindicato realizará
uma entrevista coletiva na sede da entidade (Rua Maurício
Diamante, 65 - Centro - São José dos Campos).
A
entrevista coletiva também será transmitida pela
página do Sindicato na internet.
(*)
Luiz Salvador é Presidente da ABRAT (www.abrat.adv.br),
Presidente da ALAL (www.alal.la), Representante Brasileiro no
Depto. de Saúde do Trabalhador da JUTRA (www.jutra.org),
assessor jurídico da AEPETRO e da ATIVA, membro integrante
do corpo técnico do Diap e Secretário Geral da
CNDS do Conselho Federal da OAB, e-mail: luizsalv@terra.com.br,
site: www.defesadotrabalhador.com.br