CHINELO-DE-DEDO
Magistrado
se retrata e doa par de sapatos a trabalhador
Mara Andrich [04/07/2007]
Depois de ser impedido de participar de uma audiência por
estar calçando chinelos de dedo, o trabalhador rural Joanir
Pereira conseguiu ontem, finalmente, um acordo no Fórum
de Cascavel, oeste do Estado.
O juiz Bento Luiz de Azambuja Moreira, da
3.ª Vara do Trabalho do município, pediu desculpas
formais ao rapaz durante a nova audiência e levou um par
de sapatos para presenteá-lo, mas ele não aceitou
e preferiu permanecer com os calçados emprestados do sogro,
dois números a menos do que ele usa.
Moreira afirmou que não aceitou realizar
a primeira audiência porque não estava acostumado
com pessoas usando chinelos de dedo em ambientes formais.
“Atuei como juiz dez anos em Curitiba,
onde os hábitos são diferentes, onde há um
consenso social de que a pessoa não vá de chinelos
a uma audiência. Mas aqui a situação é
diferente. Temos muitas áreas rurais. Tenho que refazer
os meus conceitos”, afirmou.
Ele disse ainda que não pensou que
a atitude do rapaz fosse uma ofensa. “Mas pensei que devemos
manter o decoro em uma audiência. Em um casamento, por exemplo,
você vai vestido adequadamente”, exemplificou. No
termo da audiência do dia 13 de junho, o juiz havia dito
que “o calçado é incompatível com a
dignidade do Poder Judiciário”.
Ação indenizatória
O advogado de Pereira, Olímpio Marcelo
Picoli, vai entrar com uma ação indenizatória
contra Moreira. Picoli havia pedido que a nova audiência
não fosse realizada pelo mesmo juiz, mas, como houve acordo,
o advogado desistiu do pedido. O acordo prevê que a empresa
que demitiu Pereira e não fez o acerto corretamente pague
R$ 1,8 mil ao trabalhador. Segundo Olímpio, seu cliente
ficou satisfeito com o valor.
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