Mulher
trabalha só 11% menos, mas salário de homem é
38% maior
Cai
diferença de jornada entre homens e mulheres, diz IBGE
Mesmo
com avanço da escolaridade, diferença de renda
persiste em cerca de 30%
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL FOLHA DE SÃO PAULO DO RIO
Cada vez
mais presentes no mercado de trabalho, as mulheres já
cumprem uma jornada semanal média pouco menor do que
a dos homens, embora seu rendimento tenha correspondido a apenas
72,3% do masculino no ano passado.
Elas se ocupavam, em média, 38,9 horas semanais, somente
4,6 horas semanais a menos do que os homens -essa diferença
era de 5,2 horas em 2003.
Tal perfil é retratado pelo estudo "Mulher no Mercado
de Trabalho: Perguntas e Respostas", divulgado ontem pelo
IBGE, no Dia Internacional da Mulher, e feito com base na Pesquisa
Mensal de Emprego.
Apesar de mais escolarizadas, as mulheres ganham menos do que
os homens e tal situação pouco mudou ao longo
dos últimos anos. Em 2003, a renda média delas
representava 70,8% do rendimento masculino. Em 2009, o rendimento
do trabalho das mulheres foi de R$ 1.097,93, inferior ao dos
homens -R$ 1.518,31.
Isso ocorre mesmo com o nível maior de qualificação
da força de trabalho feminina, segundo o IBGE, e as razões
são principalmente culturais.
Pelos dados da pesquisa, 61,2% tinham 11 anos ou mais de estudo,
acima dos 53,2% dos homens. Isso é reflexo do fato de
que as mulheres, em geral, passam mais tempo na escola.
Nem mesmo conforme avança a escolaridade as diferenças
se diluem. Considerando um grupo com a mesma escolaridade e
do mesmo grupamento de atividade, a distância entre os
rendimentos persiste na mesma faixa dos 30%.
Segundo o IBGE, a renda da população masculina
era superior à feminina mesmo para quem tinha curso superior.
De acordo com a pesquisa, 59,8% das mais de 1 milhão
de mulheres desempregadas nas seis principais regiões
metropolitanas do país tinham mais de 11 anos de estudo.
Em 2003, o percentual era menor: 44,7%.
Ocupações
Os dados mostram ainda que as mulheres estão mais inseridas
e são a maioria apenas na administração
pública (por causa dos serviços de saúde
e educação, onde têm presença forte)
e nos serviços domésticos -nessa categoria, representavam
94,5% do total.
Nas demais atividades econômicas, elas são minoria:
indústria, comércio, serviços prestados
às empresas, outros serviços e construção
civil -nesse caso, 94,9% dos trabalhadores são homens.