SEM
BLINDAGEM E PELA TRANSPARÊNCIA: Pode
a Justiça ser fiscalizada pelos jurisdicionados?
O
debate está aberto: pode a Justiça ser "fiscalizada".
Alguns juízes entendem que não. Outros, entendem
que pode, desde que se dê nomes aos que eventualmente
dêem motivos às arrazoadas críticas.
O
novo Presidente da OAB Nacional, Ophir Cavalcante apoia blitz
da OAB-PA em comarcas.
Justiça
fiscalizada
Ophir
Cavalcante apoia blitz da OAB-PA em comarcas
Para o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil,
Ophir Cavalcante, o relatório divulgado pela seccional
do Pará, que fiscalizou a frequência de juízes
no interior do Estado, é exemplo para a Justiça
estadual em todo o Brasil. Nesta quarta-feira (3/3), a OAB divulgou
nota com o apoio de Ophir Cavalcante à operação
que foi batizada de “sistema tqq”, destinada a combater
a rotina de juízes que só trabalham às
terças, quartas e quintas-feiras. A equipe de advogados,
que fez uma blitz pelas comarcas da capital e do interior do
estado, apontou 60% dos juízes faltosos.
“A
ação da OAB do Pará deve ser louvada. Os
juízes têm que ser sim fiscalizados pelos advogados
e pela sociedade, por serem servidores da sociedade. Portanto,
a Ordem está legitimada para fazê-lo”, declarou
o advogado. Na opinião de Cavalcante, a vistoria visa
a tonar o sistema Judiciário mais eficiente e produtivo
para a sociedade. “Tenho certeza que, a partir daí,
com a ajuda do Tribunal de Justiça do Pará e do
próprio Conselho Nacional de Justiça, poderemos
construir um outro momento do Judiciário não só
naquele Estado, mas em todo o Brasil".
O presidente
da OAB ressaltou que há muitos juízes sérios
e comprometidos com a Justiça, porém “temos
outro tanto de juízes que não tem esse mesmo nível
de compromisso, não moram nas comarcas, não trabalham
todos os dias, na dão expediente completo para atender
às partes e os advogados”. Ele citou avaliações
feitas pelo Conselho Nacional de Justiça em que se repete
a situação observada pela seccional paraense.
"Essa situação do Pará vai contribuir
para uma ampla análise, em nível nacional, para
que o CNJ edite regras no sentido de determinar e fiscalizar
a fixação do juiz nas comarcas”.
O presidente
da OAB observou que a luta hoje liderada pelo presidente da
OAB-PA, Jarbas Vasconcelos, "irá ajudar em muito
para que haja uma análise em nível nacional dessa
situação".
Ele disse
acreditar que, como fruto dessa avaliação, "o
CNJ deve editar regras no sentido de determinar e fiscalizar
a fixação do juiz nas comarcas e, sobretudo, para
que os juízes cumpram o seu horário e trabalhem
no sentido de devolver cada vez mais à sociedade aquilo
que ela investe para o bom funcionamento do Judiciário".
Juízes
reagem
Nos últimos dias, as declarações da OAB-PA
ganharam repercussão nacional. A Associação
dos Magistrados do Estado do Pará afirma que os 60% de
juízes faltosos não condiz com a realidade e que,
para comprovar, tem um relatório com as audiências
feitas pelos juízes no dia da blitz.
Na última
segunda-feira (1º/3), mais de 70 juízes se reuniram
em assembleia geral extraordinária convocada pela Associação
dos Magistrados do Estado do Pará (Amepa) e decidiram
entrar com Ação Civil contra a OAB-PA. A decisão
já foi encaminhada à assessoria jurídica
da entidade, que pretende tomar as medidas necessárias
para o ajuizamento coletivo da ação. A Amepa ressalta
que nada impede que cada juiz entre com uma ação
individual contra a OAB.
Indignados,
os juízes que participaram da assembleia garantiram que
a blitz feita pela OAB-PA não tem legitimidade, pois
os magistrados de várias comarcas mencionadas pela OAB
enviaram à presidência da associação
e à Corregedoria do Tribunal de Justiça do Pará
o relatório de audiências feitas durante o dia
da blitz. O presidente da Amepa, juiz Paulo Vieira, reafirmou
que a atitude do presidente da OAB-PA foi impensada. “Não
é atribuição da OAB fiscalizar o Judiciário,
isso prejudica a relação dos magistrados e advogados”,
disparou o Vieira.
O Tribunal
de Justiça, por meio da Corregedoria de Justiça
das Comarcas do interior e da capital, deu prazo de dois dias
para que o presidente da OAB local, Jarbas Vasconcelos do Carmo,
encaminhe os nomes dos juízes ausentes, segundo apontou
a blitz. No entanto, o presidente disse não ter os nomes.
Segundo ele, a entidade quis apenas ajudar o Judiciário
a melhorar o Judiciário. “Não é desta
forma, intimidando, vigiando, agredindo moralmente o juiz, que
vamos melhorar a prestação jurisdicional”,
disse o presidente da Amepa.
Dois representantes
da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB),
coordenador das Justiças Estaduais, juiz Eugênio
Couto Terra, e o secretário geral adjunto e membro da
comissão de prerrogativas da entidade nacional, participaram
da assembleia em solidariedade aos magistrados paraenses. Terra
lembrou que o juiz não é obrigado a cumprir horário,
tampouco expediente. “Os juízes são juízes
24 horas por dia e, por isso, podem trabalhar em casa, ou às
vezes, precisam se deslocar para outros locais, acumulam mais
de duas comarcas”, completou o magistrado. O presidente
da OAB paraense não foi encontrado para se manifestar.