Parem com o comércio tóxico!
ONGs querem limites para o mercúrio
(Santos, São
Paulo, Brasil, 31 de janeiro de 2007) Organizações
anti-mercúrio estão pressionando os governos mundiais
para que estabeleçam o banimento das exportações
de mercúrio e reduzam a poluição global por
mercúrio na próxima 24ª Reunião do Conselho
de Administração do Programa de Meio Ambiente das
Nações Unidas (PNUMA) que se realizará em
Nairobi, de 5 a 9 de fevereiro. "Os governos devem agora
se comprometer com regras consistentes e obrigatórias para
reduzir a contaminação por mercúrio"
disse Elena Lymberidi da coalizão Mercúrio Zero.
"O mercúrio envenena o cérebro e ameaça
todos nós e as gerações futuras, tanto em
baixos com em altos níveis. Desse modo, a Decisão
do Conselho de Administração deve ter força
para assegurar uma ação global".
Nos últimos
cinco anos desde que o relatório sobre a Avaliação
Global do Mercúrio do PNUMA foi divulgado, não tem
havido uma redução significativa do uso do mercúrio
em todo o mundo, de acordo com um novo relatório do PNUMA
sobre o mercado do mercúrio.[i][i] O comércio se
estabilizou em cerca de 3.500 toneladas por ano na última
década. À medida que o uso do mercúrio diminuiu
nas nações industrializadas, os países em
desenvolvimento vêm aumentando o consumo deste metal tóxico.
Os especialistas em poluição do ar também
relatam que as emissões globais de mercúrio na atmosfera
vêm aumentando nos últimos 15 anos (veja as tabelas
abaixo[ii][ii]).
"O Conselho
de Administração do PNUMA identificou pela primeira
vez esta séria ameaça global há seis anos",
disse Michael Bender do Projeto Mercúrio Zero. "Desde
então tem apoiado uma pesquisa intensa que levou a uma
conclusão: uma medida global séria e coordenada
deve ser tomada imediatamente para reduzir o nível de mercúrio
no meio ambiente e proteger os pescados, uma fonte mundial extremamente
importante de proteína".
Ativistas europeus
anti-mercúrio acreditam que a causa fundamental da ausência
de ações efetivas nos últimos dois anos se
deve ao fato de que os governos têm apenas apoiado programas
voluntários de "parceria", ao invés de
dar suporte a um acordo significativo que tenha obrigatoriedade
legal, com a necessária assistência financeira e
metas de redução explicitas. Os defensores dessa
estratégia insistem que os acordos globais e obrigatórios
são o único meio de alcançar o banimento
do mercúrio em nível mundial.
"Os governos
devem assumir seu compromisso de tomar medidas imediatas e significativas,
adotando acordos multilaterais obrigatórios", disse
Rico Euripidou, da ONG GroundWork da África do Sul. "O
escopo e a direção das medidas atuais são
muitos limitados e por si mesmos são insuficientes para
reduzir os riscos da exposição do mercúrio".
No Brasil, não
existe ainda uma posição clara do governo federal
no sentido de ser favorável a essa proposta. O país
não tem ainda um programa efetivo para atuar diretamente
nas fontes de emissão do mercúrio, tais como indústrias
de cloro-soda, mineração primária de ouro,
produção e comércio de instrumentos de medição
para uso clínico/hospitalar, usinas termoelétricas
a carvão, incineração e co-incineração
de resíduos perigosos em fornos de cimenteiras, produção
e destinação de lâmpadas fluorescentes, e
uso odontológico em amálgamas dentárias,
entre outros, comenta Zuleica Nycz (relações internacionais
da ACPO).
Jeffer Castelo Branco,
Diretor de Saúde Ambiental da ACPO, Associação
de Combate aos Poluentes, Brasil, diz que "O mercúrio
é um caso sério de Saúde Ambiental, pessoas
estão sob risco constante de exposição, no
lar, no serviço e nas ruas, sendo que as crianças
e as gestantes se constituem num grupo de alto risco. Os trabalhadores
continuam expostos a níveis perigosos e outros já
estão seriamente intoxicados e não têm encontrado
um tratamento adequado para as suas doenças e agravos decorrentes
da contaminação quando procuram o serviço
de saúde pública. Precisamos de uma política
global de segurança química capaz de reduzir a poluição
ambiental e a exposição humana ao mercúrio,
antes que esta situação se agrave ainda mais".