Notícias da Amazônia, agosto 8,
2009
Uma portaria do Ministério do Meio Ambiente
ampliou a participação das centrais sindicais
na concessão de licenças ambientais para empreendimentos
econômicos. A medida, assinada na quinta-feira, deve ser
publicada no Diário Oficial na próxima semana.
Ontem, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente),
afirmou que a iniciativa, recebida com ressalvas por empresários,
não vai “atrasar nem um dia” as obras.
Pela portaria, o PBA (Programa Básico
Ambiental), exigido para a obtenção da licença,
será submetido à central sindical que represente
a principal categoria dos funcionários. A central poderá
se manifestar sobre a poluição a que empregados
estarão sujeitos dentro e no entorno do empreendimento.
O ministro, que participou ontem de reunião
do comitê do Fundo Amazônia no BNDES, no Rio, disse
que o PBA será analisado ao mesmo tempo pelas centrais
e pelos órgãos ambientais.
“Quando são feitos estudos ambientais,
se faz previsão de diminuir o impacto na flora e na fauna,
mas não nos tímpanos e pulmões. Agora o
empresário será obrigado a apresentar estas medidas.
As sugestões [dos trabalhadores] podem ou não
ser acatadas”, disse.
O governo também obriga os empreendedores
a incluírem no relatório de impacto ambiental
um capítulo sobre tecnologias limpas e exige um programa
específico voltado à saúde do trabalhador.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo) avalia que a nova medida pode atrasar a
implementação dos projetos.
Para o diretor do departamento de meio ambiente,
Nelson Pereira dos Reis, o despacho é “redundante”,
pois os relatórios de impacto ambiental já contemplam
a saúde do trabalhador e o licenciamento prevê
audiências públicas abertas a todos.
Reis sustenta que as centrais podem não
ter pessoas tecnicamente preparadas para questões ambientais.
“Nossa preocupação é criar mais um
elo burocrático, mais um setor a ser ouvido. Isto pode
redundar em um postergamento do processo de licenciamento”.
A CUT (Central Única dos Trabalhadores)
e a Força Sindical apoiaram as iniciativas do Ministério.
Fonte: Folha de SP