PREOCUPANTE
Pressão por resultados levam trabalhadores em SP a trabalharem até 25 horas corridas

(*) Luiz Salvador

É preocupante. A Dra. Maria Luiza Tonelli, advogada e professora universitária em Filosofia denuncia que não é só na França que os trabalhadores estão sendo violentados em seus direitos à vida, à saúde e dignidade da pessoa humana. Pior do que lá na França, acontece em São Paulo onde há empresas onde funcionários trabalham até 25 horas seguidas Isso mesmo: 25 horas até duas vezes por semana. Nos dias restantes da semana, trabalham no mínimo 15 horas por dia. Só vão para casa para dormir. Nem na revolução industrial acontecia isso.

Profissionais com curso superior, casados, com família, trabalhando em regime de escravidão. Salários? Não são altos, mas as pessoas se sujeitam porque não tem outra alternativa, pois tê família para sustentar. Quem estiver numa situação dessa, se reclamar, é rua. Sei que numa dessas empresas um funcionário foi encontrado morto no ano passado, de tanto que trabalhou por horas seguidas numa só semana.

Cadê o MPT, cadê os Sindicatos. Cadê a Fiscalização Estatal. ABUSOS, até mesmo em SP trabalhadores são obrigados a trabalhar até 25 horas corridas, buscando cumprimento das metas de produção estabelecidas, sem cumprimento da legislação protetora da saúde e da dignidade do trabalhador.

Nossa Constituição Cidadã dá prevalência ao social, à proteção à vida, à dignidade da pessoa humana, não aceitando retrocesso. A empresa tem que se sujeitar ao interesse maior da sociedade, à soberania popular, que limitou a atuação do capital ao atendimento das necessidades gerais da nação pela garantia da empregabilidade com salários dignos, possibilitando conquista de melhor condição de vida, saudável, sem riscos de acidentes e ou de desenvolvimento de doenças incapacitantes.

Neste sentido, há necessidade de atuação concentrada e unificada dos organismos responsáveis pelo cumprimento da legislação social protetiva do trabalho humano, com dignidade. O próprio Poder Judiciário Trabalhista também tem o dever de avançar para que o primado legal e constitucional tenha eficácia, buscando o equilíbrio necessário entre o capital e o trabalho. Exigindo-se a fiel observância da responsabilidade social do capital e a efetividade no atendimento à prevalência do social. À criação de empregos dignos, dentro dos limites da jornada legal máxima fixada pela Lex Legum e não o retrocesso social, com o retorno das condições miseráveis a que eram submetidos os trabalhadores nos primórdios da revolução industrial em que a jornada de trabalho extenuamente longa e dilatada era o principal motivo de encurtamento do capital de vida, diante do reconhecido exaurimento das energias físicas e mentais dos trabalhadores, o que os levava à morte prematura.

Leia mais :

2/05/07 20:27
De: Maria Luiza Tonelli Bloquear endereço
Para: myriamfigueiredo@yahoogrupos.com.br
Assunto: Cadê o MPT, cadê os Sindicatos. Cadê a Fiscalização Estatal. ABUSOS, até mesmo em SP trabalhadores são obrigados a trabalhar até 25 horas corridas, buscando cumprimento das metas de produção estabelecidas, sem cumprimento da legislação protetora da saúde e da dignidade do trabalhador.

Salvador,
Esta é uma notícia triste e altamente preocupante. Aqui em São Paulo há empresas onde funcionários trabalham até 25 horas seguidas Isso mesmo: 25 horas até duas vezes por semana. Nos dias restantes da semana, trabalham no mínimo 15 horas por dia. Só vão para casa para dormir. Nem na revolução industrial acontecia isso. Profissionais com curso superior, casados, com família, trabalhando em regime de escravidão. Salários? Não são altos, mas as pessoas se sujeitam porque não tem outra alternativa, pois tê família para sustentar. Cadê o MP do Trabalho? Cadê os sindicatos?
Quem estiver numa situação dessa, se reclamar, é rua.
Sei que numa dessas empresas um funcionário foi encontrado morto no ano passado, de tanto que trabalhou por horas seguidas numa só semana.
Abraços,
Maria Luiza

Luiz Salvador escreveu:
ESTRESSE OCUPACIONAL
Pressão por resultados na Renault, leva ao suicídio até de executivos
From: ingrid
To:
Subject: Suicidios na Renault
Date: Fri, 11 May 2007 14:10:50 -0300
SÃO PAULO - Máquinas e funcionários da maior montadora de automóveis da França, a Renault, fizeram uma paralisação ontem, por um minuto, em três das maiores fábricas e escritórios da empresa.
Em silêncio, cerca de três mil trabalhadores, de todos os setores, fizeram uma discreta homenagem a um futuro executivo, morto há quatro dias. A comoção se explica porque o técnico de 38 anos, que era casado, tinha filhos e seria promovido, se suicidou, deixando uma carta na qual explicou a razão do ato mais extremo. O trabalho é duro demais para suportar , justificou na carta.
Chocante o suficiente para abalar seus colegas, o caso do executivo foi além e estremeceu a opinião pública francesa. Trata-se do terceiro suicídio de um funcionário em quatro meses na sede de Guyancourt, na cidade de Yvelines, nos arredores de Paris. Pior: é o quarto em dois anos. O pesadelo das mortes de trabalhadores começou em 2004, com um suicídio que, mesmo trágico, parecia isolado. Em 20 de outubro passado, porém, o problema se agravou. Um engenheiro de 39 anos, um dos responsáveis pelo projeto Logan, atirou-se do quinto andar do prédio envidraçado de Guyancourt. No meio da manhã, em frente a dezenas de testemunhas, o caso terrificou colegas, mas seguia desconhecido do grande público francês.
Na terça-feira, 30 de janeiro, entre 600 e 800 trabalhadores caminharam em silêncio até o ponto do suicídio, para homenagear o colega e despertar a atenção da mídia. No dia seguinte, o corpo de outro funcionário, desaparecido três dias antes, foi encontrado em um espelho d água no interior da empresa, que só em Yvelines tem 12 mil contratados. Aos 44 anos, um funcionário do centro de documentação técnica do núcleo de desenvolvimento do novo Twingo, automóvel compacto cujo lançamento é aguardado com expectativa pela direção da empresa, foi a vítima da vez. O caso sobressaltou sindicalistas e a mídia francesa, que quebrou o protocolo jornalístico de evitar a divulgação de suicídios e abordou os incidentes em tom de preocupação, sem revelar os nomes dos suicidas, a pedido das famílias e da polícia.
A seqüência de tragédias voltou a emocionar a França nesta semana, com a morte do técnico que seria promovido a executivo. Estamos vivendo um grave problema de pressão por resultados na Renault, que se manifesta desde os operários da montadora até os executivos e engenheiros. Tudo tem sido feito sob alta carga de stress , denuncia Philippe Martinez, operário da empresa e delegado sindical da Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior sindicato da França. É sempre complicado estipularmos uma relação entre um caso de suicídio e o stress do trabalho, mas casos ocorridos dentro das empresas são emblemáticos.
Estimativas indicam que de 300 a 400 funcionários se matam no interior de companhias na França por ano. Especialistas em psicologia do trabalho apontam que os casos de suicídio dentro da empresa são sintomas de stress profissional. O alerta foi feito pelo psiquiatra Christophe Dejours, um dos maiores especialistas no tema no país, e foi endossado por outra expert, Elisabeth Grebot, pesquisadora da Universidade de Reims. Normalmente, os casos de suicídio em empresas têm relação com sentimento de solidão, de isolamento, de competição excessiva ou de pressão exacerbada por resultados , disse Elisabeth.
É o que, afirmam funcionários e sindicalistas, estaria acontecendo na Renault desde a criação do Contrato 2009, um plano de desenvolvimento implantado na empresa há um ano pelo presidente do grupo Renault-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn. Baseado em metas e resultados, a política visa a aprimorar os resultados financeiros da montadora até 2009, período no qual 27 novos veículos serão lançados, com a missão de reverter a perda de mercado na França. A direção da empresa minimiza o fenômeno e considera os casos fatalidades isoladas, recusando-se a fazer uma reflexão sobre o que está acontecendo , disse Martinez ao Estado.
Procurada pela reportagem, a Renault não quis se pronunciar. De acordo com a Assessoria de Imprensa da empresa em Paris, um grupo de trabalho investiga as razões dos suicídios, com o objetivo de evitar que se repitam . Pelo menos duas investigações oficiais do governo francês, uma da polícia e outra da Caixa Nacional de Seguro Social, também apuram possíveis vínculos entre os suicídios.
Por O Estado de São Paulo
Fonte: forum da segurança 06/03/2007
(*) Luiz Salvador é Presidente da ABRAT (www.abrat.adv.br), Secretário Geral da ALAL (www.alal.info), Representante Brasileiro no Depto. De Saúde do Trabalhador da Jutra (www.jutra.org), assessor jurídico da AEPETRO e da ATIVA e membro integrante do corpo técnico do Diap, e-mail: promove@onda.com.br, Site: www.defesadotrabalhador.com.br