Ministério
da Saúde lança guias para ajudar identificação
de acidentes de trabalho
Irene Lôbo
Repórter da Agência Brasil
O
coordenador da Área Técnica de Saúde
do Trabalhador do Ministério da Saúde, Marco
Antônio Perez, fala durante cerimônia que marca
o Dia Mundial em Memória às Vítimas
de Acidentes e Doenças do Trabalho |
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Brasília - A cada ano, cerca
de 2 milhões de trabalhadores perdem a vida em todo o mundo
em acidentes de trabalho. No Brasil, de acordo com dados da Previdência
Social, acontece um acidente de trabalho a cada três horas,
ou seja, sete por dia. São 2.708 mortes e 491.711 acidentes
de trabalho por ano. Para ajudar os médicos a identificar
os acidentes de trabalho e tratar adequadamente as vítimas,
o Ministério da Saúde lançou hoje (27) seis
Protocolos de Atenção à Saúde do Trabalhador.
São eles: acidentes de trabalho
fatais, graves e com crianças e adolescentes; por exposição
ao chumbo metálico; perda de audição por
ruído; doenças causadas por exposição
à poeira; doenças causas por exposição
ao benzeno e doenças de pele ocupacionais.
De acordo com o coordenador da
Área Técnica de Saúde do Trabalhador do Ministério
da Saúde, Marco Antônio Perez, os guias vão
dar subsídios aos profissionais do Sistema Único
de Saúde (SUS) para que eles identifiquem e registrem os
acidentes de trabalho. De acordo com Perez, ao identificar a doença
causada pelo trabalho, será possível também
saber que problemas ambientais afetam determinado local de trabalho.
“Esse dano à saúde,
ele primeiro atinge o trabalhador, mas se o problema do trabalho
não for resolvido, não for sanado, ele vai atingir
o meio ambiente e vai atingir a saúde de outras populações
também, além dos trabalhadores”, alertou.
Uma questão que dificulta
a realização de ações para diminuir
os acidentes de trabalho no Brasil, segundo Perez, é a
subnotificação. As estatísticas, segundo
ele, cobrem apenas os casos segurados pela Previdência Social,
o que representa apenas um terço da população
economicamente ativa. “A maioria do atendimentos aos trabalhadores
no SUS hoje não gera informações sobre a
saúde do trabalhador”, disse Perez.
O coordenador defendeu que é
preciso melhorar a capacitação dos profissionais
de saúde pública, para que eles possam relacionar
os atendimentos que prestam com as condições de
trabalho da população. “Muitas vezes, quando
o cidadão procura o SUS, nem sempre é feita a relação
entre o quadro de saúde que o cidadão apresenta
com o seu trabalho. Essa é uma dificuldade”, apontou.
O lançamento dos seis Protocolos
de Atenção à Saúde do Trabalhador
marca o Dia Mundial em Memória às Vítimas
de Acidentes e Doenças de Trabalho, que será comemorado
amanhã (28).