Crime de tortura é crime contra a humanidade, não
prescreve!
Em
visita ao Brasil, o juiz espanhol Baltasar Garzón defendeu
punição penal para os crimes de tortura cometidos
durante a ditadura militar no Brasil. O juiz Garzón é
famoso por ter decretado, em 1998, a prisão do ditador
chileno Augusto Pinochet.
Segundo
o juiz, quando se trata de crimes de lesa-humanidade, no caso
da tortura e do desaparecimento forçado, existe uma obrigação
moral e legal de se investigar. Para ele, está claramente
estabelecido no direito internacional que é um crime é
imprescritível. “A interpretação dos
sistemas locais deve acomodar-se a esse critério",
disse Garzón.
O
juiz chega ao Brasil em um momento de forte discussão sobre
a revisão da Lei de Anistia, possível punição
a torturadores e abertura dos arquivos da época da ditadura.
Ele defendeu a abertura dos arquivos. “Não é
uma questão política, ideológica, é
uma questão reparadora". Ou seja, de recuperação
da memória e da verdade.
A
posição de Garzón vem reforçar o entendimento
expresso no Manifesto dos Juristas de que “é secundada
por abundante doutrina jurídica e jurisprudências
internacionais, de que crimes de tortura não são
crimes políticos e sim crimes de lesa-humanidade”.
“Não
cabe afirmar que os crimes de tortura e de desaparecimento forçado
foram anistiados. Tais crimes são, portanto, crimes de
lesa-humanidade, praticados à margem de qualquer legalidade,
já que os governos da ditadura jamais os autorizaram ou
os reconheceram como atos oficiais do Estado”, diz a comunidade
jurídica.
A arte de fazer guerra
A
Europa, hoje sob o atraso submisso de Sarkosy, Berlusconi, Merkel,
assiste, atônita, à instalação de uma
parafernália de equipamentos bélicos dos EUA em
seu quintal, na vizinha Polônia. Engole, passivamente, a
desculpa de que o Império quer proteger os “seus”
de improvável ataque de mísseis de países
“fora-da-lei”.
Na
verdade, um estratégico posto avançado dos fazedores
de guerras às portas da Rússia e da China. Os EUA
costumam experimentar em “laboratório” sua
arte de fazer guerra: há muito, financiam os movimentos
separatistas da China e, agora, ajudam a Geórgia a invadir
territórios há muito protegidos pela Rússia.
Segundo
a revista Carta Capital o presidente da Geórgia, Mikheil
Saakashvili, cometeu o erro de apostar na simpatia dos EUA para
se lançar em uma aventura militar, dada a imensa desproporção
de recursos bélicos entre a Rússia e a Geórgia.
Com
o sinal verde do Império, aos 53 minutos da madrugada de
8 de agosto, enquanto o mundo assistia à abertura dos Jogos
Olímpicos, a Geórgia iniciava a invasão da
Ossétia. Ainda de Pequim, Putin ordenou a previsível
retaliação.
Condoleezza
Rice havia ido a Tbilisi em 9 de julho, assegurar o apoio dos
EUA ao país na disputa pela Ossétia do Sul e a Abcázia:
“Nós sempre lutamos por nossos amigos”. A provocação
dos EUA está no fato de que essas repúblicas, cujo
povo é predominantemente russo, declararam autonomia desde
1991, com a proteção da Rússia.