PERÍCIA MÉDICA DO INSS

Trabalhadores revoltados com abusos nas perícias denunciam ação discriminatória dos peritos

Protesto contra abuso nas perícias abre canal de comunicação com o INSS

Protesto do Fórum Sindical de Saúde do Trabalhador (FSST) contra os abusos cometidos nas perícias médicas do INSS surtiu efeito

Depois da manifestação em frente ao prédio-sede das perícias do INSS, em Porto Alegre, os dirigentes sindicais pressionaram e foram recebidos pela chefia do posto, para entregar o documento que relata as denúncias de humilhações durante perícias médicas.

As entidades sindicais pedem medidas que coíbam as humilhações as quais os trabalhadores são submetidos em situações que incluem tirar a roupa para exame de doenças que afetam braços, pescoço e coluna (as chamadas LER/DORT) .

Atores tiraram a roupa para encenar o que acontece nas consultas com médicos peritos, que têm gerado muito constrangimento e humilhação. Mesmo que este procedimento fosse necessário, outras situações constrangedoras são relatadas.

A avaliação é feita em salas com pouca ou nenhuma privacidade na relação médico-paciente. A avaliação ocorre muitas vezes, na presença de uma junta de peritos (dois ou até mais médicos) e sem oferecer roupa adequada para exame, o que é comum em consultórios.

O médico perito Artur Koch, chefe do Gerenciamento de Benefícios por Incapacidade (GBENIN), garantiu a abertura de um canal de negociação com os trabalhadores e disse que as denúncias sobre as situações de constrangimento serão apuradas.

Segundo ele, isso não pode acontecer. Koch assegurou ainda a disponibilização de aventais específicos para a consulta. “Os trabalhadores devem ser tratados com respeito e dignidade”, defende Juberlei Baes Bacelo, presidente do SindBancários.

Representantes de diversos sindicatos entregaram panfletos à população com a denúncia e convidando todos a ingressarem a luta por dignidade no atendimento. Os diretores do SindBancários e da Federação dos Bancários Rs representaram a categoria na manifestação.

Enquanto o protesto pacífico ocupava a rampa do prédio, as portas do posto foram fechadas, e os atendimento foi interrompido sem qualquer justificativa, causando a indignação geral.

Até agora sete casos chegaram ao SindBancários, cinco delas mulheres, que registraram queixa na Delegacia da Mulher pelo constrangimento. Os dirigentes sindicais dizem que o tratamento dado pelos peritos é desumano e atinge outras categorias de
trabalhadores que buscam a perícia para comprovar doenças e obter afastamento e o benefício do INSS.

Constrangimento, humilhação e vergonha são os sentimentos descritos pelas vítimas. “Tenho problema nos braços, o que me impede de trabalhar, mas o médico solicitou que eu tirasse a roupa. Fiquei bastante constrangida, nervosa. Ele examinou, puxou, mexeu. Ignorou minha dor”, conta uma bancária, afastada devido a Lesões por Esforços Repetitivos, as LER/DORT, chamadas hoje de doença dos bancários.

“O médico mal olhou meus exames. Mandou tirar toda a roupa, dizendo que teria de apertar as carnes e ver a musculatura do fêmur. Meu problema é coluna e os braços. Quando eu saí dali eu me senti como um bicho, muito humilhada”, descreve outra vítima, que saiu da perícia com negativa de afastamento pelo perito do INSS, apesar de exames sofisticados, laudos médicos e tratamento fisioterápico em andamento confirmando a gravidade do caso.

Os bancários lideram os afastamentos por doenças do trabalho no Brasil. Entre as razões estão intensidade de movimentos repetitivos, pressão e metas abusivas. Transtornos mentais têm crescido em decorrência do ambiente
adverso, ao lado das LER/DORT.

* SindBancários/ com edição da FEEB-RS


Trabalhadores protestam contra perícias humilhantes

Além de enfrentar longos períodos de tratamento, trabalhadores afastados estão sujeitos à falta de ética de alguns peritos do INSS durante os exames

Diversas categorias realizam um protesto nesta sexta-feira, a partir das 9h30, na Capital, contra humilhações em perícias médicas. A manifestação será em frente ao prédio-sede das perícias do INSS, na Capital, localizado na Avenida Bento Gonçalves, 867, com acesso pela Rua Julio Bocacio, bairro Partenon.

Os trabalhadores denunciarão as situações que incluem tirar a roupa para exame de doenças que afetam braços, pescoço e coluna (as chamadas LER/DORT) e total indiferença à dor das pessoas. Mesmo que isso fosse necessário, a avaliação é feita em salas com pouca ou nenhuma privacidade na relação médico-paciente, na presença, muitas vezes, de uma junta de peritos (dois ou até médicos) e sem oferecer roupa adequada para o exame, que é oferecida em consultórios.

Até agora, sete casos chegaram ao SindBancários, cinco deles envolvem mulheres, que registraram queixa na Delegacia da Mulher pelo constrangimento. De acordo com o Sindicato, o tratamento é desumano e atinge outras categorias de trabalhadores que buscam a perícia para comprovar doenças e obter afastamento e benefício a que têm direito. "A conduta dos médicos é lamentável e é flagrantemente usada para intimidar as pessoas, colocando-a na defensiva num momento de dor", protesta o presidente do SindBancários, Juberlei Baes Bacelo.

Sentimentos de constrangimento, de humilhação e de vergonha são descritos pelas vítimas. “Tenho problema nos braços que me impede de trabalhar. Mas o médico solicitou que eu tirasse a roupa. Fiquei bastante constrangida, nervosa. Ele examinou, puxou, mexeu. Ignorou minha dor”, conta uma bancária, afastada devido a Lesões por Esforços Repetitivos, as LER/DORT, chamadas hoje de doença dos bancários.

“O médico mal olhou meus exames. Mandou tirar toda a roupa, dizendo que teria de apertar as carnes e ver a musculatura do fêmur. Meu problema é coluna e os braços. Quando eu saí dali eu me senti como um bicho, muito humilhada”, descreve outra vítima, que saiu da perícia com negativa de afastamento pelo perito do INSS, apesar de exames sofisticados, laudos médicos e tratamento fisioterápico em andamento confirmando a gravidade do caso.

Os bancários lideram os afastamentos por doenças do trabalho no Brasil. Entre as razões estão intensidade de movimentos repetitivos, pressão e metas abusivas. Transtornos mentais têm crescido em decorrência do ambiente adverso, ao lado das LER/DORT.

Segundo Bacelo, laudos médicos de especialistas e exames sofisticados que diagnosticam as doenças e indicam tratamento com afastamento temporário da atividade estão sendo ignorados pelos peritos. "Os relatos são graves. Vamos solicitar providências à Procuradoria da República e queremos afastamento de médicos que estão adotando estes procedimentos", adiantou o dirigente.

* SindBancários com edição da FEEB-RS